9 de abr de 2018

TODO MUNDO TEM DIREITO ÀS VITÓRIAS, À FELICIDADE E AO PÃO QUE SÓ MATA A FOME

O cara posta a vitória do Fogão, aí outro aparece desqualificando o campeonato, o time e a torcida. O campeonato só é válido pro time dele. Uma dificuldade de saber perder. Uma incapacidade de ver comemoração alheia. "Igualzin" na política...
Aí me dá um orgulho de ser o que sou, de crer no que creio, de vir da onde venho. Esse comportamento que não sei como classificar - nem tento, só desaprovo para minha conduta e que não me venham muito pra perto com ele - dá um efeito contrário em mim. Sentia-me, como muitos contemporâneos meus, traída pelo PT, tinha deixado de votar (já contei aqui essa história), estava de mal com o Lula. Ardia num arrependimento umbralino por nunca ter sido brizolista, já que pelas minhas condições e história de vida, pertencer à direita - mesmo direita, é pra mim tão impossível quanto torcer para outro time. De modo que, tudo como está acontecendo, torto, para um lado só, claramente sombreando a democracia que eu ja achava que era franzina e meio fingida, me faz fazer as pazes com Lula, sim.
Então, eu que não sou evangélica, apenas procuro viver de acordo com o Evangelho porque sou muito fã de Cristo, tenho o costume, hábito ou mania de abrir esse livro (já muito roto porque vem de outras gerações) aleatoriamente para tentar ao longo do dia praticar o ensinamento que "cair".
Hoje foi aquela passagem que Cristo triste com a condenação e morte de João Batista (que ele dizia, era maior profeta que ele) foi "dar um tempo" num local deserto.
Só que aí, a multidão foi atras dele e ele curou quem estava doente ali. Então, os amigos falaram que era pra ele mandar o povo vazar porque estava tarde, o local era deserto e não tinha comida pra galera, só 5 pães e uns peixinhos merreca.
Jesus falou tipo:
- traz aí essa mixaria.

E multiplicou de um jeito que umas 5000 pessoas comeram de boa.

Não satisfeito, Cristo mandou os amigos entrarem no barco e dar uma volta, só que ele não foi (lembram que ele se retirou pra um lugar ermo a fim de ficar sossegado? Pois é) . Despediu a multidão já de pança cheia e finalmente ficou sozinho pra rezar, meditar, agradecer, enfim, entrar num chat com Deus, o pai dele.
Tempão depois, o barco com os amigos estava lá no meio da água e ele vai, a pé, encontrar com a turma. Todo mundo amigo mas quando viram o Cara andando sobre as águas, se borraram todos achando que era fantasma😲😂😂
- Calmaí, gente! Sou eu!
Aí, Pedro metidinho que só, já quis também surfar sem prancha... Affff
- Vem, Pedro!
Pedro foi. Quando sacou a parada, sentiu que estava mó ventania e ele em cima da água, amarelou e começou a afundar 😩 Jesus deu a mão a ele e claro, um esporro:
- Homem de pouca fé, duvidou por que?
Ah, gente, como eu queria ver a cara do Pedro nessa hora! 😆😅
É muito ensinamento em 10 versículos e sempre que leio surge uma coisa nova.
... Confiar na vida, correr atrás (povo que seguiu ele pelos cafundós);
... Ter fé e ser paciente (Ele precisando de sossego por causa da morte do JB e ainda mais do jeito que foi) atendendo aquela multidão necessitada e, olhe bem que não era só pobre que procurava Cristo porque desde aqueles tempos "a gente não quer só comida" e as outras tantas necessidades, como saúde por exemplo, nos igualam ou inferiorizam por mais grana que agente pode ter, felizmente tem muita coisa que o dinheiro não pode comprar;
... A generosidade de multiplicar e repartir o pão (porque os" apóstolos iam "segurar" o que tinham e ainda Cristo que deveria mandar o povo ir embora);
... Compartilhar o prazer, a diversão (andar sobre as águas deve ser bom pra caramba e ele compartilhou essa onda com Pedro e nem precisaria se não fosse pra ensinar algo);
Tudo isso ⬆️⬆️⬆️⬆️⬆️ eu já tinha percebido em outras leituras porque essa passagem sempre "cai" pra mim. Hoje meditei que:
Cristo andou sobre as águas e isso pode ser uma dica pra gente entender que tem que andar sobre a água pura ou sobre a lama e sem dúvida dessa capacidade de flutuar sob pena de afundar nela;
A gente tem que passar pelas perdas doloridas e graves sem perder a paciência com os egoístas, insanos e toscos porque talvez eles não saibam ser diferentes disso ou quem sabe, o nosso momento difícil pode ser o único em que ele vai ter oportunidade pra se livrar de algo que o aflija. Sim eu sei, a gente não faz milagre, mas tem que ter paciência, viu? E fé, muita fé.
Então, sejamos generosos e pacientes e não percamos a fé, se entendemos que devemos repartir o pão e a Vida, o Saber e a Alegria, estamos muito mais próximos do Bem do que imaginamos
É isso.
#botafogocampeão
#Lulalivre

8 de abr de 2018

AQUELES QUE DESEQUILIBRAM O UNIVERSO


Sexta-feira, 06 de abril de 201, eu vinha de Madureira a bordo de um 99POP, tendo 4 latões mais meia garrafa de 600ml de cerveja correndo pela corrente sanguínea.

Pedi para o motorista dar uma paradinha no posto de gasolina, aquele ali perto da Leroy Merlin porque eu sentia que ia precisar de uma barra de chocolate.

Entro na loja de conveniência, dirijo-me ao caixa no balcão onde já tinha uma pessoa à minha frente.

Tenho a atenção despertada por um grito ao estilo bêbado conversando com o mundo sem megafone vindo da outra extremidade do ambiente:

- Por mim, tudo que é sapatão, tinha que morrer! Viado também! MORRER QUEIMADO! Me dá o fogo que eu queimo esses FDP!!!
Como eu, todos olharam.
Como eu, imediatamente após o final da frase, todos "desolhamos".
Todos que olharam no mesmo momento que eu, voltaram os olhares para o que estavam fazendo antes.

Uma concretização do desprezo absoluto.
Imediatamente pensei que se ele em vez de gritar na asséptica lojinha, postasse no Facebook, receberia curtidas, comentários e quem sabe, com um tanto de sorte, encontraria até quem brigasse com ele com posts tão agressivos quanto a sua fala. Mas era apenas mais um ignorante, sem condições de usar um smart phone.
Peguei, paguei, esqueci.
Lembrei  desse ocorrido agora, domingo, dia 08, dia que Lula foi para a república de Curitiba. Quando li uma postagem que dizia:

-  "um acidente aéreo seria a glória".

Deletei, bloqueei, esqueci. Taí um boçal em condições de usar smart phone.
Não quero que pensem como eu, mas certos pensamentos (como o desejo de morte e pra piorar, sofrida e dolorida para alguém ou ainda que fosse um animal) faço questão de ignorar que possam existir, são miasmas que desequilibram o Universo.



2 de abr de 2018

ME DEIXE CHORAR EM PAZ


As pessoas compram discursos conforme suas tendências. Há anos o extermínio da população jovem-negra-pobre-das-e-nas-comunidades vem sendo denunciado e quem apoia ou se comove?
Agora se a denúncia ou reclamação envolver gente preta é "mimimi", como a luta dos LGBTs para terem os mesmos direitos (porque pagavam e pagam impostos) foi chamada de "ditadura gay" por uma rede de imbecis que lucram muito espalhando boatos e inventando teorias que distorcem a realidade com um único objetivo: Manter a Casa Grande e Senzala.
Se você, após 15 dias da morte de Marielle e tantos debates, não foi capaz de perceber as diferenças entre crime violento e atentado político e quer que eu me comova mais pela morte do policial ou da moça-loira-heterossexual-mãe-de-família, isso me faz pensar que você está incomodado com o "sucesso póstumo" de uma negra.
No fundo você acha que ela não é merecedora das homenagens e comoção porque você não está ou não se acha incluído nos grupos que Marielle lutava para defender da morte, do desrespeito, da indigência, essa mesma indigência que você quer impor à ela (sua memória e seu legado) ao trocar a foto de Marielle por outra qualquer mais ao seu gosto, ignorando as milhares de vidas perdidas anteriormente, principalmente as negras por serem em maior número.
Me faz um favor, me convide pra suas campanhas e me deixa chorar em paz.

1 de abr de 2018

Série Encontros

Um cara que eu admiro pra caramba: Milton Cunha, exemplo de que a dor não mata nem aleja e às vezes nos faz mais fortes e podemos ter um tanto de pimenta e vinagre sem amargar os dias dos outros.

31 de mar de 2018

PAPOS DE SAMBA

No Sábado de Aleluia, não malhei ninguém, como sempre. 

JESUS NÃO ESTAVA NAS LOJAS AMERICANAS

Sexta-feira santa caminhando pela Estrada do Portela, reparei a Lojas Americanas aberta e já passavam das 18 horas. Acreditam que fiquei chateada?

Lembrei de um professor de OSPB que tive na sexta série. Moreno, alto forte, barbudo, de cabelos cacheados, lindo, lindo, encantador feito um cigano, Professor Pedro. Foi dele que ouvi pela primeira vez os conceitos de capitalismo e direita mas foi só uma lembrança rápida e vaga. Depois pensei que é assim que se soterra uma tradição, que se "descredibiliza" 😲    | uma fé.


Vi aos montes nas minhas redes sociais, pessoas mencionando memórias de uma Sexta-Feira Santa que era muito mais que um mero feriado. Nos relatos havia vivência em família, costumes respeitosos às coisas que de verdade ninguém sabia direito, como as consequências de se falar um palavrão, fazer bagunça, brigar com o irmão, mas como quase toda sexta da Paixão chovia, a gente não insistia...

A gente ia à missa pra pegar o raminho do Domingo de Ramos, minha avó colocava na porta e quando tinha tempestade ela queimava um tantinho das folhas. Meus irmãos passavam a madrugada de sexta pra sábado montando judas com roupas velhas do pai e escrevendo os nomes dos cornos, dos fofoqueiros, dos políticos; até lembro que o Negrão de Lima sempre entrava no pasquim do judas. Nessas sextas, o café era preto, sem leite e o pão só com um pouquinho de manteiga. O som não podia ser alto, minha mãe colocava chorinho, um LP do Waldyr Azevedo que era a música erudita lá de casa. Até meio dia tentávamos ser calmos, discretos, silenciosos, contemplativos. Eu gostava da parte de não precisar varrer a casa e o quintal pela manhã. Minha avó contava histórias de crianças que responderam mal aos mais velhos e o chão se abriu engolindo elas e suas falta de modos. A ansiedade pelos ovos de Páscoa, a gente disfarçava na sexta-feira santa e esquecia no sábado de aleluia mediante a euforia da malhação de judas e a expectativa da reação das pessoas que tinham os nomes citados no boneco. 

Uma vez, minha mãe que teve uma infância difícil contou-me que já trabalhava aos nove anos de idade e na casa dos patrões, "esqueceram" dos ovinhos de páscoa para ela, vendo como ela ficou triste ao ver os filhos dos patrões recebendo seus ovos, alguém lá da casa (grande) cozinhou uns ovos de galinha, tingiu-os com anilina, escondeu no quintal e mandou que ela procurasse. Ela sempre falava da alegria de ganhar esses ovos coloridos, eu ouvia como mais uma das histórias, mas hoje choro quando a lembrança me traz sua voz e seu rosto contando essa barbaridade.


O Cristo que andou com "galera", mudou água em vinho, perdoou as prostitutas e delas foi amigo, expulsou os vendilhões do templo, deixou um único mandamento de amor, não estava na Lojas Americanas de Madureira, ontem sexta-feira, dia 30 de março de 2018 e dificilmente estará nas nossas vidas dessa forma amiga e de paz. Não haverá alguém sensível o suficiente para consolar uma criança com ovos de galinha tintos de anilina.

O patrão e provavelmente na história de minha mãe, a patroa - como no filme "Que horas ela volta" transmigrou pro atacado e varejo e anuncia com orgulho que no feriado destinado à reflexão e quem sabe oração, funcionará em horário normal, afastando tantas pessoas da família, da possibilidade de reflexão, oração....

O judas que não se malha mais, se alojou numa sombra de alma arrependido com o que fez de nós e os patrões nos põem a trair a nós mesmos em troca de umas moedas prateadas e poucas notas azuis, que mal confortam o estômago muito menos o coração.

É, Professor Pedro esse capitalismo vai acabar com a nossa humanidade, sim.

F E L I Z   P Á S C O A, queridos amigos!

QUANDO CAMINHAMOS POR MONTANHAS














Fiz silêncio, muito silêncio. 
Jejuei, pensei. Fui à missa.
"Essa é sua casa Senhor,
Nela viveremos com alegria".

Tomei banho de ervas.
Manjericão, louro, alecrim, macaçá
Fazem a tristeza passar
Tudo verde bem quinado
um banho bem gelado.

Conversei com Vovó Cambinda, 
queria saber onde ela estava no tempo que Cristo vivia, ainda
Defumei a casa depois de meio-dia, porque aí, podia.

Rezei um terço inteiro.
Fazia silêncio dentro de mim.
Ouvi Kitaro todo tempo, 
ele me deixa assim.

Lembrei da infância e descobri que não foi feliz, mas nela havia pessoas boas, então não foi de todo ruim.
As pessoas boas nem sempre têm tempo para bondades.
Olhei para trás e só vi montanhas. 
Em algum lugar, lá muito longe, 
distante com certeza, 
tinha uma janela.
Passei foi por ela,
Eu, e a minha coroa de princesa
A menina que corria pela casa, andava aos saltos rindo de nada e para tudo e se achava feroz, jamais teve uma porta por onde passar ou se teve as ignorou, porque ouvia música. Trazia sempre o dedão do pé, sem a pele, esfolado de topadas.
Tinha sempre um bicho pra conversar e nenhum adulto pra ouvi-la. Era um tempo que os adultos comandavam, ordenavam, ditavam o que nem sempre era fácil entender ou fazer.
O quadro de São Jorge, de gesso, esculpido em alto relevo, lá alto, muito alto, quase chegando ao teto da sala,
de frente pra porta, como deve ser, com a lampadinha vermelha eternamente acesa jogando no fio de contas brancas e verdes sua cor de sangue... 

Pedra de raio, pedra de rio, pedra de mar.
São João e seu carneirinho olhando pra baixo a me vigiar.

O cheiro de defumador atravessou minha mente,
defumou minha infância inteira, esclareceu meu coração, me elevou. Assim, percorri todas as montanhas que eu nunca percebi que eram os meus caminhos.
Não se sobe uma montanha sem descer de outra. 

Altos e baixos como a água que um dia 
mora na poça, no rio, no mar;
No outro, é nuvem pra anjo brincar;
Mais tarde é louca, é vida é chuva 
e em cima de nós vai se jogar. 

Tudo o que fazemos, recebemos.

Mirra, alecrim, assafete, arruda, patuá
Quando Cristo andava pelo mundo
Vovó já estava por lá.

Foi um dia intenso, não tenho mais sono
No entanto tenho muito, muito, muito sonho.
A menina ainda tem um andar estranho
Sorri pra tudo e todos de qualquer maneira
Mas traz no pé a cabeça do seu dedão inteira.

E quando Cristo morreu, por onde andava, Vovó?
Ela era jovem não tinha toco, 
não tinha tronco, me olhava, não me deixava só.


24 de dez de 2017

MENSAGEM DE ANO NOVO

Um amigo mando por whats, eu disse que faria um vídeo pra não ficar só por ali. Depois recebi de outro e de  outro e de outro. Até que encheu mas continua sendo uma boa mensagem.
FELIZ 2018!

UM DIA A GENTE ENXERGA QUE ERA FELIZ

Um dia a gente abre os olhos e enxerga que era feliz,
Ter sido feliz já é um bom motivo pra não se entristecer. 
Ah, a alegria de quem foi tolo o suficiente pra ser feliz sem saber!
Doce sabor de festa
Aquela ressaca daquele pileque que veio sem querer

TODO AMOR TEM VERDADE ATÉ SE NÃO FOR VERDADEIRO





















De amores e desencontros fizemos nossa vida.
De desencontros viveu o nosso amor. 
Ainda assim, sempre responderei seu aceno, 

evitarei despedidas, 
Todo amor tem verdade
mesmo se não é verdadeiro,
vou te ler alguns poemas,
serão eles, não eu, que lhe falarão de amar.
Amor de desencontro dói demais,
Fiquemos no chope, nas conversas triviais

14 de dez de 2017

EU VI: DO COMEÇO AO INFINITO


Papo de fã. Você vai a um show do Roberto Carlos sabendo que vai gostar, sabendo o que vai ouvir com poucas variações no que vai ver e aqui nenhuma crítica ao Rei que amo de paixão.  Prosseguindo com o raciocínio: Eu vou a um show de lançamento da Ana Costa sabendo que vou gostar mesmo sem saber exatamente o que vou ouvir ou ver. Simples assim.

Dia 08 de dezembro desse ano que insistentemente demora a acabar, fui assistir uma das edições dos show de lançamento do novo trabalho da cantora, compositora e violonista, Ana Costa.


Um show com menos músicos e mais música, com menos instrumentos e mais som. 
A leveza contínua, flutuante que repousa na delicadeza de uma sintonia muito perfeita entre voz, bandolim. Fui ouvindo em casa o CD e vejo que a perfeição continua. 
A inserção de "Último Desejo" (Noel Rosa) deu-me a sensação de que eu deveria ter ido nos lançamentos anteriores (no Municipal de Niterói e C.R da Música na Tijuca) porque fiquei com a sensação que cada apresentação jamais será repetida.

E eu acho que Ana Costa é bem isso: Uma artista que jamais se repete, busca mais que inovar, mas um refazimento. numa recriação infinita como se cada dia vivido e cada aprendizado entrasse como filigranas no que ela nos traz. Como não sou crítica digo apenas o que vejo e o que sinto do que ouço. É um show belíssimo e o CD, sim, eu sou do time que baixou as músicas de uma das muitas plataformas onde etão disponíveis mas gosto de pegar, mostrar, acompanhar, seguir com o dedo o que está escrito e que a tia lá da escolinha no século passado dizia que não era legal fazer; Pois bem o CD tem um dos designers mais bonitos que já vi. É o tipo de trabalho que não tem o que se criticar, só curtir e muito!

3 de nov de 2017

PEDIDO QUE SE FAZ

Todos os dias eu peço a vida, que jamais aconteça de eu pensar pequeno, que jamais tenha "crises" de mesquinhez, porque é apenas isso o que não permite que sejamos grandes.
03/11/2017

AS PESSOAS NO BRASIL PENSAM QUE SÃO BRANCAS -

Não só mas também por isso, sou apaixonada por esse cara. Nessa vida, marcamos mas eu me atrasei um pouco, saltei na família errada, vim mais tímida do que ele e quando nos esbarramos por duas vezes, uma no calçadão da ZS, outra, em Vargem Grande/Recreio, eu fiquei mais gaga que o Gaguinho do Perna Longa, mais muda que uma girafa e aí, nem ele não me reconheceu, nem eu me apresentei. Acabou assim sem começar, a maior historia de amor de todos os tempos. Mas to marcando para a próxima reencarnação quando voltarei hétero, escrevendo um pouco melhor e completamente desinibida!

Me realizei vendo esse vídeo e praticamente gozo quando vejo a inveja que os bobos tem desse homem, como se ele
fosse meu! Vejam o vídeo, o final é ainda melhor!
(Rozzi Brasil)



"Nosso valor é miscigenação. As pessoas pensam que não são mulatas, mas estão fazendo muita coisa boa porque são mulatas. A miscigenação é o futuro da humanidade e o Brasil está adiantado nisso", declara o compositor e escritor nesse vídeo.

Numa entrevista rara, o cantor, compositor e escritor fala sobre racismo e a sua visão de Brasil. Segundo o artista, não existe branco no Brasil e é uma ilusão o brasileiro querer negar a mestiçagem nacional. Chico relata casos de racismo sofridos pela família. Ele conta que já foi vítima de piadas racistas por conta do genro, Carlinhos Brown, ser casado com sua filha Helena Buarque.
( Conexão Jornalismo)


2 de nov de 2017

AOS NOSSOS MORTOS, A VIDA!

Chorei as perdas, sofri pelas ausências. Um dia a ficha caiu: 
O que vamos visitar no túmulo é uma parte de nós porque nos sentimos sós.
Quantas visitas posso ter recebido dos meus finados amados e não os percebi?

E assim sendo, será que eles ficariam por lá pra me receber?
Não sei se os meus mortos gostariam de me ver chorosa, triste, mastigada pela saudade que eles deixaram pelo abandono involuntário.
Lá em casa, sempre, todos os encontros eram muito barulhentos com música alta, dança desengonçada, muita birita e algum bullying, farra de família.

Não, não vejo muito o sentido em fazer essas visitas silenciosas e tristes de morte ao morto quando deveríamos fazer uma festa, tocando a música que nosso morto gostava, vestindo suas cores prediletas, sacudindo a bandeira do seu time, cantando pra ele o samba de enredo da escola dele para o carnaval que virá ou aproveitar a chance e cantar o da nossa escola dizendo que ela vai ganhar pra devolver o bullying só um pouquinho pra senti-lo sorrindo. Qualquer coisa que pudesse dar um pouco de alegria pra eles e pra mim também.

Não foi um bom negócio essa exploração portuguesa, pegou tanto da nossa riqueza e deixou essa herança de tristeza, tudo tão triste, choroso e roupa preta que eu nem tenho, que fico feliz por saber que, na minha filosofia, os que dissemos mortos, apenas partiram livres, de pesos de ossos, carne, nervos, cabelos, sangue, dores, levando seus amores e humores, enquanto eu aqui, levando flores, mortinha, com a minha vida soterrada nos pesos que carrego e tudo o mais que só serve pra impedir a minha alma de voar em vida.


4 de out de 2017

O RISCO DO QUE É INESQUECÍVEL

No carnaval de 1964 eu não havia nascido mas eu sei que "Aquarela Brasileira" de Silas de Oliveira do Império Serrano tido como um dos 3 melhores sambas de enredo de todos os tempos  não atingiu a nota máxima, perdendo 2 pontos na avaliação do julgador do quesito letra. Teve nota máxima no quesito melodia. Jornalistas publicaram sua indignação em veículos de grande expressão na época como a revista Manchete, Jornal Última Hora e O Globo. Lideranças de outras escolas de samba manifestaram-se contra o absurdo da falta de sensibilidade de um jurado especializado que não sabia reconhecer uma obra-prima. Silas de Oliveira ainda era pouco conhecido, não tinha o nome na mídia e o Império Serrano ficou, se não me falha a memória do que eu não vivi, com um quarto lugar muito desmerecido.

Em 2004, eu não só já tinha nascido, como presenciei a reedição do samba que fazia como eu, 40 anos. A LIESA comemorava 20 anos de fundação e o Sambódromo completava seu vigésimo carnaval,  permitindo que a escola da Serrinha reeditasse o samba de Silas que Martinho da Vila colocou à luz da mídia quando o gravou no seu LP Maravilha de Cenário 29 anos antes.

Eu não só me empolguei com a possibilidade de estar na avenida ao som desse hino brasileiro como fiquei louca de alegria ao ver que o Império Serrano apresentava ali um formato de desfile  como era lá antigamente. Sem as filas ao estilo militar, componentes soltos, átomos de alegria, energia e emoção disparados por toda a Sapucaí que eu nunca vi cantar tanto um samba como daquela vez e ainda com coreografia de braços elevados e mãos indicando "este céu azul de anil, emolduram em aquarela meu Brasil"...

Daí, que foi feita a justiça ao samba-letra-e-melodia de Silas mas ficou  faltando emoção, compreensão nas notas à Serrinha que não voltou nas campeãs amargando um nono lugar. Se tem uma escola que é diferente das outras é o Império Serrano. Ela tem jeito de povo, garra de povo, sua história é costurada pela garra, determinação comuns às gentes do povo. Nos desfiles mais recentes, no Acesso, lá, antes da Sapucaí fazer a curva, eu olhava as arquibancadas vazias e me dava um frio no estômago. Como assim, o Império vai passar com tão pouca gente pra ver? Gente de fora, agarrada nas grades, berravam na minha orelha:
- Canta, porra! Isso é império serrano
- Vai Império!
- Eu amo o Império!
- Minha escola
- Sou escola X mas adoro o Império!
E por aí, ia.
Quando finalmente eu botava a cara na entrada do Setor 1, as lágrimas desciam e o sorriso brotava abundante, as arquibancadas estavam cheias de gente pra curtir a escola da Serrinha. Ah, isso é  mais inesquecível que qualquer foto que tenha saído em algum site, revista ou jornal!

Aquele povo vestido com simplicidade, lata de cerveja na mão a gritar Impéééério, os que ficam na "arquibancada do fedor", os que transitam à margem do sambódromo nas barracas e botecos que nos cumprimentam quando saímos da Avenida e perguntam como foi o desfile ou simplesmente dizem que foi maravilhoso. Esse povo que se junta à frente das TVs com recepção péssima de imagens de uma transmissão duvidosa, comentários aleatórios de profissionais que não conhecem o riscado, cortesia dos barraqueiros e condescendência da Casa Grande para a Senzala, é muito, em parte, boa parte do povo que só tem direito a isso mesmo da nossa cultura que é deles, isso e poder assistir aos ensaios técnicos gratuitos porque o desfile há muito tem preços para eles inacessíveis.

NÃO ROUBEM DO POVO O DIREITO DE VER SUAS ESCOLAS! ENSAIO TÉCNICO JÁ!

30 de set de 2017

LEMBRANÇAS LÁ DE CASA

Quando eu era menina me atracava com um livro e só conseguia deixá-lo quando chegava ao final. Alguns livros ainda me tomavam algum tempo após a leitura porque eu ficava parada de olhos no ar lembrando de algumas passagens e com saudades das personagens. Louco, não? Mas era como se aquelas "pessoas" me tivessem feito companhia e sentia alguma tristeza por não poder conhecê-las ou "reencontrá-las". De certa forma era um luto.

Do outro lado da casa minha avó resmungava, arrastava os chinelos, fazia reclamações, xingava. Não entendia como eu tinha a "cachimônia de passar tantas horas sem fazer nada". Sim, ela entendia que a leitura era todo o nada que eu, alma geneticamente preguiçosa fazia.  Minha avó não sabia ler, embora fosse boa nas contas e, jamais errava ou deixava que errassem num troco. Ela queria que minha mãe arrancasse-me o livro das mãos, me desse uma boa bronca, quem sabe uma surra e me obrigasse a fazer aquilo, que na concepção dela, era a minha obrigação.

Minha mãe depois que passou a trabalhar fora, viciou-se em palavras cruzadas e caça-palavras depois, passou a ler aquelas publicações em brochuras que tinham nomes de mulher. Era Karina, Sabrina, Júlia e coisas assim. Eram romances que muitos diziam não ter valor literário algum. Jamais abandonou as revistinhas de palavras cruzadas e ainda trazia pra mim as de nível fácil e uma direcionada às crianças que tinha o nome de "Picolé". Eu procurava  sempre ficar por perto fazendo a minha palavra cruzada enquanto ela fazia a sua. Com o tempo dividíamos as brochuras e trocávamos impressões sobre essas publicações. Mesmo quando eu crescida já sabia da reputação da ausência de valor literário (ora, bolas!)

Acho que minha mãe sempre teve gosto pela leitura mas a vida dura não lhe dava tempo, tempo para ler e tempo para conhecer o que gostaria de ler. Trabalhando fora, tinha na ocasião, pelo menos duas  horas de condução, intervalo na hora do almoço e claro, passava pelas bancas onde pôde conhecer algo pra ler e fazer isso nas folgas.

Meu tio era filho da minha avó, irmão da minha mãe. Ele sempre tinha um livro no bolso traseiro da calça jeans. Trabalhava próximo da nossa casa onde ia almoçar e tirar um cochilo de sesta. Nunca soube se ele se deitava para ler e cochilava ou se cochilava porque se deitava para ler depois da primeira parte  do seu expediente num trabalho cansativo para o qual acordava muito, muito cedo. Ele era gari e naquela época a carrocinha de lixo, de madeira e pesada, trazia a sigla DLU - Departamento de Limpeza Urbana. Mesmo quando as carrocinhas se tornaram mais leves e ele deixou de empurrá-las porque fora promovido a inspetor, ainda quando a sigla da carrocinha mudou para Comlurb, ele continuava indo almoçar lá em casa e fazendo sua sesta sem jamais abandonar seus livrinhos. Eram pequenos almanaques, 1/4 de uma folha A 4 quase sempre com histórias de faroeste.

Minha avó não implicava com a leitura do meu tio, nem com a sua deitadinha para ler. Muito pelo contrário, esquentava-lhe a comida, colocava no prato e ia servi-lo onde ele estivesse - porque ele às vezes lia na poltrona da sala e ali mesmo, livro sobre o rosto para quebrar a luminosidade, roncava um pouco.

Hoje, uma tarde chuvosinha e preguiçosa dei de lembrar isso e pela primeira vez "atinei" que diferentemente do que pensei a vida toda,  não era por não saber ler que minha avó implicava com a minha leitura. Com a leitura da minha mãe, eu sei, ela não implicava porque era ela a provedora da casa. Trabalhava numa escala pesada de 12 x 36, às vezes 24 x 48, longe, muito longe da nossa casa num serviço muito cansativo. Talvez implicasse comigo porque eu era criança e não podia me defender, pois estávamos no tempo "cala a boca".  Talvez repreendesse meu hábito de ler pelos mesmos motivos que pessoas letradas criticam obras  e desprezam a leitura alheia. Talvez ela tentasse me dar a educação que recebeu e nela não estava incluído ler e escrever. Minha avó era do tempo que se aprendeu a andar e falar já tinha que trabalhar. O povo lá de casa vinha das lavouras e criações. Pra comer tinha que plantar e criar porque as opções de comércio eram raras e caras. Os críticos da leitura dos de poucas posses não sabem o que é isso, se soubessem louvariam todo tipo de leitor e não se oporiam à brochuras dos jornaleiros.

Mesmo quando a minha mãe ainda não havia desenvolvido o hábito da leitura, comprava-me revistas em quadrinhos e eu tinha preferência por aquelas publicações com apelidos de meninas. Eram Bolota, Brotoeja, Tininha. Gostava também do Riquinho, Horácio, Turma da Mônica. Menos do Chico Bento. Implicava com o sotaque caipira, achava feio e às vezes não entendia. Achava chato o Chico Bento pela forma de ele falar e não apreendia as mensagens que seu gibi passava.


Acho que a gente tenta pegar o que não entende e aprisionar na rigidez dos limites  da nossa ignorância.

11 de set de 2017

QUEM CALA, PERMITE




Ouço dizer que os gays que são mortos, assim acontece por problemas entre eles. Falam assim como se todo gay estivesse inexoravelmente ligado a prostituição, marginalidade e roubo. Exatamente por pensar dessa forma, nossa sociedade também acha que um casal gay não pode adotar crianças.
Nossa sociedade pensa que ser gay é ser bandido, ter envolvimento com os piores comportamentos ilícitos e isso deve ser escondido das crianças.
Nossa sociedade pensa tão mal de gay que acha que as crianças estão melhores assim do jeito que as mantêm, amontoadas em orfanatos e abrigos, isoladas nas instituições que não recuperam e se tornaram verdadeiras escolas do crime; jogadas nas ruas sendo exploradas por seus familiares tão heterossexuais que até as puseram no mundo. Alguns inclusive, são tão heterossexuais que pensam poder julgar, avaliar, interferir na vida alheia. Alguns preferem matar suas crianças por motivos relevantes de
heterossexualidade como o menino gostar de lavar a louça ou o menino não querer cortar o cabelo ou simplesmente porque arrumaram uma nova namorada que acha essa a melhor dessa forma.
Enfim, as pessoas precisam entender que há gays que são mortos simplesmente porque são gays, são assaltados porque geralmente precisam, por motivos óbvios, viver mais fora de casa do que dentro.
Já tivemos casos de pessoas mortas por terem sido confundidas com gays.
Já tivemos casos de mãe e filhas insultadas em Copacabana porque alguém  achou que elas eram gays.
A gente sabe que as delegacias não tratam ninguém bem, mas a gente compreende porque a delegacia se importa ainda menos com uma ocorrência envolvendo um "viado" ou uma "sapatona".
Hoje não vivemos como nos tempos antigos de Roma
- uma luta pelo poder, hoje vivemos tempos de lutar por sobrevivência,
dignidade, igualdade, liberdade as mesmas que você tem porque paga impostos, é
bom cidadão mantendo suas coisas em dia e não porque você é heterossexual,
afinal ninguém pergunta se o seu dinheiro e gay e ninguém isenta o gay das

Rio, 11 de setembro de 2014

2 de set de 2017

CURUMIM


Eu te amei tanto
De riso e pranto
Que de tanto amor
Olhei e não te achei
A vida,
o céu
O dia
As estrelas, 
a lua
O sol e seu amanhecer,
Frio e calor,
Eram teu nome.
Mas você curumim, só brincava
Com os astros, com  a vida
Comigo


18/07/1992

2 de jul de 2017

UMA COISA É UMA COISA OUTRA COISA É OUTRA

Dividindo uma coisinha ou outra do samba que se bebe, absorve e vive. A parte da batucada será tão mais importante na medida que o tempo passe. Ao viver, não só estamos cumprindo nossa trajetória, mas escrevendo a história. Viver no samba, viver de samba, ir ao samba, fazer samba, cantar samba, se aproveitar do samba, são coisas muito distintas

21/07/2015

28 de jun de 2017

SANTA CRUZ TEM NOVIDADES! #VAITERCARNAVAL

A primeira Feijoada do ano vai apresentar a comunidade os reforços para o carnaval de 2018 como o Carnavalesco Max Lopes, o Mestre Sala Rogerinho e a Porta Bandeira Roberta e os intérpretes Quinho e Roninho. Tudo ao som de Arlindinho, grupos Ki Samba e Desejo Simples, além de participação da Beija-Flor de Nilópolis.
A Quadra da Acadêmicos de Santa Cruz fica na Rua do Império, 573 - Santa Cruz

VOCÊ JÁ FOI À FEIJOADA DA PORTELA?


Vem aí a edição de julho da melhor Feijoada do Brasil!

A próxima edição da Feijoada da Família Portelense acontecerá no dia 1º de julho e contará grande apresentação da tradicional Velha Guarda Show da Portela e um show completo do cantor e compositor Toninho Geraes e sua banda, com o lançamento do CD "Estação Madureira". A abertura ficará por conta dos grupos Na Linha do Mar e Tempero Carioca. O encerramento fica por conta do Elenco Show da Portela, com a Bateria da Portela - Tabajara do Samba, intérprete oficial Gilsinho e demais segmentos.

Serviço:
Edição de julho da Feijoada da Família Portelense. 
Atrações: Na Linha do Mar, Tempero Carioca, Velha Guarda Show da Portela, Elenco-Show da Portela e show completo de Toninho Geraes e banda
Data: Sábado, dia 01 de julho de 2017
Horário: A partir das 13h
Local: Quadra da Portela
Endereço: Rua Clara Nunes 81, Madureira, Zona Norte do Rio

Preço: R$ 20 (primeiro lote antecipado limitado).
Prato da feijoada: R$ 25
Mesas para 4 pessoas: R$ 140,00 (já contempla 4 ingressos)
Camarote superior para 15 pessoas: R$800,00
Camarote inferior para 15 pessoas: R$650,00

Classificação etária: Livre
Informações e vendas na bilheteria da quadra, de segunda a sexta, das 8h às 17h. Tel (21) 3256-9411

Vendas online www.ingressocerto.com/portela

Sócio-Torcedor do plano Majestade do Samba não paga entrada e ganha o prato de feijoada grátis. Associe-se em www.aguianocoracao.com.br e aproveite essa vantagem!
Participe deste grande evento!

18 de jun de 2017


Prazeres engarrafados, 
alegrias tabeladas,
Sorrisos precificados...
Esperanças congeladas
E o que se diz?
Sem isso ninguém é feliz.

17 de jun de 2017

Desprezo à Liberdade

No fundo, no fundo, todos desprezam tanto a liberdade quanto aqueles que mais próximo dela chegam.
O ser humano gosta de ser prisioneiro, de arrastar suas correntes e conduzir seus múltiplos chifres.

15 de jun de 2017

RECIPROCIDADE

A certeza de ser agregadora, parceira, alguém que dividindo multiplica e se empenha em plantar coisas boas. Procuro não dar atenção se todo mundo age diferente. Minha mãe me dizia: "Você não é todo mundo". Não,não sou e jamais serei. 
A arte de sorrir cada vez que alguém me diz não, me puxa o tapete ou só se lembra de mim quando converte minha presença em valor de uma entrada, é algo que hoje tiro de letra. 
O "Samba Independente dos Bons Costumes" é a materialização desse amor à vida a despeito da reciprocidade

O TEMPO


7 de jun de 2017

O PREÇO DO QUE NÃO SE COMPRA MAS SE ACEITA




A incompetência, acintosamente manda a conta para nós, cidadãos brasileiros, povo do Brasil. Pagamos e muito caro por jamais termos rompido a inércia, por nunca termos promovido a ruptura com o colonialismo, o feudalismo institucional. Pagamos por termos comemorado a Abolição da escravatura, sem termos deixado de ser escravos, libertos sem reconhecimento pelos serviços prestados às riquezas constituídas de roubo, farsa, morte, sangue e hipocrisia.
Pagamos pela ignorância da preguiça ou incapacidade de pensar pela própria cabeça e acatar os desmandos dos políticos que se sentem patrões, agem como reis nababos porque assim o vemos, dessa forma os aceitamos, esse poder conferimos a eles. A insegurança ou o medo de decidir, a incompetência de pensar, lutar ou reagir, nos fez entregar a qualquer um as decisões mais importantes das nossas vidas. Aceitamos como se fosse normal não sermos protagonistas das leis que regem nossa sociedade.
Temos funcionários mal formados, péssimos profissionais, gente que a honestidade só dura o tempo em que falte oportunidade de se praticar o ilícito. Temos bons profissionais, dedicados, idealistas que não nos convencem pela competência porque damos mais valor à marca do tecido, ao corte da roupa e do cabelo, à cor da pele, ao gênero, à elegância externa - "por fora bela viola, por dentro pão bolorento"...
A gente sabe que no comando estão os corruptos e a gente não faz nada a não ser assistir e ainda acreditar no que dizem na TV. Como se não fosse do nosso lombo que saem os pagamentos disso tudo.
A gente já viu que religiosos no poder misturam as coisas todas, facilitam pro clero, pro bispado mas a gente não se importa. 

A gente vê manifestantes e lutas de classes e ainda que seja a nosso favor, a gente não luta, não apóia, nem se abate e ainda critica. Se condói pela vidraça quebrada do banco, aquele mesmo banco que não deixou você abrir uma conta porque seu salário é ridículo, porque você não tem holerit, porque você tem jeito de pobre e é pobre mesmo, porque você é preto, nem é famoso. Aquele mesmo banco que apita e tranca a porta giratória porque você é mal vestido. E te humilha te fazendo ir e voltar e colocar todos os seus parcos pertences, até aquele
celular ainda não pago pro guarda olhar com cara de tédio e nojinho.
As universidades públicas, as únicas que nossos filhos poderiam estudar, estão um lixo e a gente fica achando que não é problema nosso. Que greve é preguiça de professor. A gente não se importa que o dinheiro da manutenção esteja todo nos bolsos, nas malas, nas contas de políticos vagabundos que nunca trabalharam pra valer. Viraram políticos pra não ter justamente que trabalhar.
A gente está tão egoísta que acha que pode ser bom ter no comando do país um homofóbico, racista, religioso de araque que tem irmão mamando nas tetas públicas; e o filhote dele no governo do estado. A gente nem percebe que eles ganham simpatia porque falam mal de pobre, de preto, de gay e desconsideram a mulher como gente.
A gente não faz e ainda fica puto com os que tentam fazer. A gente aplaude a continuidade da ditadura que nunca se foi e ainda expandiu suas formas de tortura e seus torturados. Ela não precisa mais de quartéis e porões.
A gente só perdeu nessa coisa de só ter transição em detrimento da revolução.
Aplaudimos nosso pacifismo porque não somos violentos como os estrangeiros e não vemos que matamos muito mais, aos poucos, na unha, permitindo que o preconceito retire a cidadania, o status de pessoa de alguém que de vítima, passa a ser simplesmente alguém que merecia a tragédia que sofreu.
A gente virou hiena? Tá rindo de quê?
Por quê, Brasil?

5 de jun de 2017

ONDE DEUS MORA



Toda vez que vôo uma certeza se me confirma:
Deus, existindo, mora dentro da gente. 
Porque tudo fica muito pequeno lá de cima...