30 de mar de 2017

A minha tristeza às vezes encontra um jeito de ser feliz














... Mas eu quero aquela felicidade 
espontânea, desmedida, deseducada
deselegante tipo a de quem  gargalha 
inocentemente no metrô e deixando a todos
com inveja da felicidade

29 de mar de 2017

VAMOS FALAR DO QUE ACONTECEU ONTEM

Mais ou menos assim:
Passei uma boa parte do dia terminando uma logo. Pode parecer fácil, mas não é. Desenha, redesenha, muda, colore, altera, redesenha de novo e, só quem usa o bom e valente Corel sabe dos bugs quando ele não está rodando num slave ou numa máquina com placa dedicada. 
Terminei pouco antes das 18 horas. Feliz, abro o e-mail para enviar ao cliente e ouço um barulho tipo de um curto circuito, sabe quando a fiação da rua estala? Faltou luz e a bateria do note deu pra salvar o trabalho de dias. Quando estou trabalhando sou calma e pouco curiosa. Então ouvi um grito. Era a vizinha (moro numa vila) me berrando para eu abrir o portão, que sem energia elétrica não aciona o porteiro eletrônico. Um caminhão derrubara os fios da luz, do telefone, da internet. A vizinha queria anotar a placa e dar esporro no motorista, que ao ouvir os gritos de ca@%$ ra *&lhos@@@@ se pirulitou com caminhão e tudo. Abrimos o portão mas o objetivo não foi alcançado.
Cai uma chuva torrencial. Sem a luz e seus benefícios, sem internet . A palavra de ordem era ligar para a Light e o povo não tinha crédito. Menos eu que sou uma infeliz proprietária de um LG modelo sei lá qual que usei muito lá pelos idos 2008 ou 9. Não posso precisar a data mas posso comprovar que o aparelho é do tempo do Orkut, tem 3 letras em cada tecla e funciona com aquela canetinha, lembram? Hahahahaha
Assim, com celular sem internet, do tempo que poucos sabiam o que era wi-fi, inclusive o próprio (celular), claro que eu tenho créditos, franquia intacta! 
Liguei pra Light, a atendente com um forte sotaque nordestino e sem nenhuma paciência me pede código do cliente, CPF do titular da conta. Gente, não tinha a luz, a conta de luz não era minha, chovia pra caramba como assim, código do cliente?! Fiquei como ela sem paciência, claro! Informo a ela que o fio está fagulhando na calçada e ela insiste em código do cliente, CPF e cacete A4. Fico como ela sem paciência. Consigo achar e ela me tranquiliza prometendo prioridade.
Entro em casa a pensar . Duas horas depois, a chuva havia parado e voltado a cair várias vezes. Ligo pra Light de novo e uma atendente gentil me informa que não vai demorar. Fico satisfeita por saber que ninguém vai ser eletrocutado ali ao lado do meu portão, agradeço, desligo e ouço um barulho seco, abafado. Pensei: Pronto! A vizinha caiu e bateu com a cabeça... Antes que chegasse à porta, ouço gritos (sim, de novo) só que muitos mais, bem mais altos e diferente:
- Fogo! Tá pegando fogo! Rozziiiiiiiiiiiiiiiiiiiii !!!!!
Paro à porta pensando rapidamente o que vou levar de casa antes que o fogo chegue nela e, antes de me decidir pelo notebook, câmera e a Nina, descubro que o fogo é na rua. Um bonito Renault Logan, novo, prata tinha chamas dentro. Pensei que era do vizinho, pensei que com um extintor poderia-se debelar as chamas. Mas o pessoal achou melhor ligar para o bombeiro e ficar olhando. Pergunto:
- Será que vai explodir o tanque de gasolina?
Alguém responde:
-Vai.
Vou pra casa, o calor está vindo aqui. Claro que eu lembrei daquelas cenas de filmes e novelas e já me via voando pelos ares.
Chega o bombeiro e seus dois caminhões, apagam o fogo, tiram fotos. Chega a PM e duas viaturas, tiram fotos. Chega mais PM em dois camburões, conversam. Chega a Civil e quatro viaturas e a Light não chegou. A Civil também tira fotos, escreve, pergunta. A foto já sai no facebook numa página de notícias de Jacarepaguá. Chega um reboque e o motorista não tira fotos. Dentro do carro incendiado tem um corpo. Chega o rabecão, com dificuldade, tira do carro e leva embora o corpo. O reboque leva o que restou do carro. São quase duas da manhã, rápido para remoção mas acho demorado para uma emergência da Light. 
Na calçada o fio fagulhava. A chuva para e dessa vez parece que de vez.
Todos decidem dormir entre chocados com a violência (não é fácil ter um corpo carbonizado numa rua tão pacata de gente tão simples e comum que já está com medo do local virar ponto de desova) mais a decepção por não poder xeretar por mais notícias na internet....
Mandei um torpedo pro cliente da logo, lembram? Torpedo gente... Vamos combinar, né? Quem que manda torpedo hoje em dia? Eu, com o meu celular do tempo do Orkut porque o cliente não atendia. Bem feito pra ele, então. Vai ter que responder por torpedo! hahahaha
Na calçada, borra produzida pelo incêndio. Cada um pra suas casas cheios de histórias pra contar.
Cadê a Light? Então como numa cena bem produzida, vem subindo olimpicamente o carrinho da Light! Quase que a gente aplaudiu! O senhorio me dá a boa notícia que ao restabelecer-se a energia, a internet vai funcionar imediatamente. Ele também descarta a idéia do funcionário de remover as telhas de flandres da marquise para fazer o reparo, providencia uma escada imensa, colabora e finalmente, fez-se a luz! Mas a internet não veio. Como vou enviar o trabalho pro cliente? Na lan house. Gente eu nunca pisei numa lan house.

Nina agitada, não está acostumada à tanta confusão nem a me ver tanto tempo fora de casa. Ouve minha voz e mia, vou lá converso com ela faço um carinho ela dorme, eu saio e na volta encontro cocô fora da areia higiênica. Recado entendido. Entro e não saio mais. O sono não chega, a imagem da retirada do corpo não vai. Fico com medo, penso que o fantasma daquela pessoa vai morar ali no gramado. Vou demorar um bom tempo para passar naquele trecho da rua. Descubro que finalmente envelheci, pois que estou com essas coisas de um medo que só criança ou velho têm. Mas antes disso, vamos enviar o trabalho para o cliente que ele tem pressa.

14 de mar de 2017

VAMOS FALAR DE CARNAVAL

 

Carnaval essa coisa que todo mundo entende minuciosamente, até aqueles que não gostam, mais os que não participam. Tem gente que não sabe a diferença entre um pandeiro e tamborim mas se o assunto é  desfile de escola de samba, sabe tudo de carnaval. Assim, reduzindo a festa mais popular do estado do Rio, aos resultados que acontecem na Sapucaí (que raramente encontram concordância). Opiniões categóricas e firmes não obstante mudarem com as vitórias anunciadas na quarta-feira de cinzas.
 Como no futebol, todos têm um time ideal, uma tática mais apropriada, como todo mundo tem contratações melhores do que as feitas pelas escolas e logicamente, enredos melhores para apresentar. No reino encantado dos comentários tudo é muito fácil!
Aprendi isso nas redes sociais.

Gente dizendo que mestre Ciça estava velho e ultrapassado. Gente dizendo que Rosa Magalhães é “museu”, ultrapassada e velha. Gente que diz estar Lucinha Nobre antiquada e lenta precisando de novidades coreográficas.  Gente que dizia que a Portela não voltaria a ser campeã enquanto trabalhasse enredos que falassem dela mesma e água e rio e Clara e Baluartes.
Entendo que haja uma turma com certa ansiedade de vir a ocupar os espaço ocupado por esses nomes que se consagraram e seguem construindo ativamente a história dessa manifestação cultural. Percebo que há ignorância também, desconhecimento do contexto histórico de como se construíram os desfiles para não dizer que há muito pouco caso e um tremendo desrespeito.

Existe uma dificuldade imensa em transformar os fatos em experiência, vivência. Por exemplo, quando Paulo Barros foi contratado pela Portela notei, por parte dos verdadeiros portelenses, a expectativa e curiosidade do que poderia gerar esse “casamento”, por outo lado, notamos a satisfação no sorrisinho de lado e piadinhas daqueles que acreditavam ou tinham que acreditar que isso não poderia dar certo. Pensamentos que alimentam os veículos noticiosos que sobrevivem de cliques, onde a verdade das notícias são menos importantes quem e os anúncios empurrados olhos adentro do leitor. O povo quer é falar!

Se Paulo Barros não permaneceu na escola, qualquer alternativa foi desprezada e passou a ser por culpa da incompetência da escola em mantê-lo. Como se coubesse à direção da agremiação sequestrar o profissional e mantê-lo ali em cativeiro.
Se Rosa Magalhães vem para a Portela, é um retorno ao passado com uma “museóloga” (termo que li nas redes) que vai alimentar a cafonice portelense. Cadê o poder de analisar todo um caminho de um que parte e trajetória de outro que chega? Cadê o respeito ao talento, feitos históricos? Cadê o amor pela agremiação que faz com que se respeite características e tradições? O amor que faz calar quando o que se acha que se tem a dizer não é construtivo? Complicado.

Mestre Ciça, o “velho e ultrapassado”, depois de duas experiências vitoriosas na União da Ilha, recebe propostas de outras co-irmãs e decide ficar onde fez discípulos, amigos no seu  segmento.

Tudo no carnaval é feito com dinheiro, mas as decisões dos seus componentes não são regidas apenas por esse parâmetro.

Lucinha Nobre fará bonito porque ela é dessas. Está comprando um desafio como todos que trabalham no carnaval e prestam uma espécie de vestibular a cada ano, onde as notas obtidas não significam nada frente às novas que precisa-se conquistar. Ninguém vai para uma escola como a Portela desejando "fazer ruim".

Rosa se declarou feliz por retornar à Portela e eu espero que ela exerça toda essa felicidade aliada à sua capacidade e talento para tornar nosso carnaval mais feliz. Não esqueço seu primeiro campeonato pelo Império Serrano transformando o enredo do Pamplona de “Praça XI, Candelária e Sapecaí”   para “Bum-Bum Paticumbum Prugurundum. E quem esquece? Um monte de gente, que além de esquecer ou não procurar conhecer insiste em desrespeitar. Logo o samba, cultura que se criou e permaneceu lutando e respirando respeito.

27 de fev de 2017

NÃO DE PODE COFIAR NO IMPONDERÁVEL, NEM NO PODER


Sou muito respeitosa com as instituições exatamente porque sou passional entendedora que o mesmo coração que bate aqui bate em todos e tudo o que vive por isso ninguém está isento da paixão e nem todos sabem distinguir opinião de crítica; observação de julgamento.
Ontem após o acidente pavoroso de proporções dramáticas, as primeiras palavras que ouvi foram sobre o excesso de pessoas nas laterais da avenida durante as apresentações das escolas. Certo. Mas culpar as vítimas pelo desastre que sofreram é complicado. As vítimas mais graves estavam trabalhando. Todas as nossas orações e/ou vibrações positivas por todos os envolvidos e que os responsáveis pela realização do evento, principalmente das escolas de samba tenham discernimento na distribuição de camisas de diretoria.
Acidentes podem acontecer a qualquer momento em qualquer lugar, quem produz eventos tem a obrigação de não perder isso de vista e conduzir as providencias de modo a minimizar o que pode acontecer por menos que aconteça porque sempre poderia ser pior não se pode confiar no imponderável.
Confesso me sentir aliviada por não estar no Setor 1 na hora em que aconteceu, mas me sinto em choque por ter acontecido. Meu entusiasmo nublou.

BEIJA FLOR REINVENTANDO A RODA...

Beija Flor retoma a simplicidade e tenta reinventar a roda, desconstruindo o que enxertou na competição há tempos e fez com que se tornasse a deusa da passarela, mas dessa vez, sinto que o apatetamento da primeira inovação deu lugar a um nó na cabeça do povo e dos jurados. 
Legal essa idéia de ópera mas eu já achava que os desfiles eram um tipo de ópera. Contudo, do que eu vi, foi o que mais gostei. Lamentando não ter visto a Imperatriz que veio com um tema que muito me interessa. Carnaval e crítica social tem tudo a ver, embora me pareça que nos tornamos pessoas com dificuldade de interpretar, nem por isso as denúncias devem deixar de ser feitas e com samba é bem melhor.

ORAÇÃO PORTELENSE DA SAPUCAÍ


Minha nossa senhora da light e santa do led, que todas as lâmpadas se acendam corretamente.
Santa Maria velocímetro, que a velocidade seja perfeita.
Nossa senhora do paticumbum, ique tenha se encerrado a quizila com a nossa bateria.
Santa Catarina da harmonia, proteja nossa evolução.
São Genaro dos adereços, que não caia nada no chão.
Nossa senhora dos estandartes, protetora dos casais, não peço nada demais, só 40 pontos !
Santa protetora dos queijos, que nenhum fique vazio.
Nossa senhora dos destaques, que nenhum tenha medo do carvalhão.
Santa animação pilhe a platéia pra nôs do 1 ao 13. Protegei-nos da cabine dupla, dos erros de interpretação,amem

24 de fev de 2017

A RESISTÊNCIA IMPERIANA EM DESFILE

Não tenho grande expectativa quanto à ascensão do Império Serrano ao grupo especial neste ano, o que não significa que não estarei na avenida com "sangue nos olhos"!
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Se acontecer e, queremos que aconteça porque ninguém desfila pra perder, Vai ser uma imensa e excelente surpresa!
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É que eu nem sei qual e o patamar hoje do Império. Se o Acesso é pouco pra ele, o Especial nada tem a ver com ele.
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Quando imperianos falam de resistência, eles estão indo muito além de tempo de exposição na mídia e dinheiro para fazer o carnaval.
Quando a escola tiver uma gestão que entenda isso e bote banca, além das palavras, com projetos, o Império Serrano promoverá uma revolução no carnaval porque no fundo, ela já existe dentro de cada coração verde e branco.
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No Especial ainda pode acontecer que a singeleza, o artesanal de panos e planos executado com o capricho de bordadeiras roubem a cena e "belisque" o prêmio principal, mas eu não vejo no Acesso isso acontecer.
Se não me engano, podem me corrigir, em 2015, Império Serrano veio com uma comissão de frente, remontando as tradicionais dos antigos desfiles.
Os membros traziam uma capa, cada uma, por dentro, com uma foto de baluarte que era exibida em certos momentos da coreografia e eu chorei de emoção e beleza. No entanto, essa comissão perdeu ponto, muitos pontos.
Como já é difícil acompanhar o resultado do G-A, imagina ter acesso às justificativas desse grupo? Logo, nunca soube porquê aquela "carnificina" num segmento com elemento do mais significativo do nosso carnaval. E ouvi gente especializada dizer que, não subindo naquela oportunidade, ficaria difícil dali pra frente, pois o desfile estava impecável.
Estão todos viciados nas tendências. J-30 introduzindo o luxo nos desfiles, não o fez em detrimento das raízes e origens, talvez por isso ele tenha sido gênio, o luxo não era a principal mensagem dos seus desfiles, apenas um meio de pulverizá-la com mais eficiência, numa escola que se sustenta pela comunidade que tem, numa época quando poderosos e ricos não eram questionados.
Os meios de comunicação perderam sua função e hoje são canais de vendas, ainda que isso deturpe culturalmente o caráter de toda uma nação.
Divulgam do carnaval apenas o que interessa a eles e o que interessa a eles é o que lhes rendem lucros. Certamente, nunca se interessarão em fazer um cobertura decente dos desfiles, porque teriam que trocar os seus assalariados por especialistas. Porque trazem os valores do primeiro reinado que brasileiro gosta de bunda de fora, cachaça e furdúncio, fingindo ignorar as horas de trabalho escravo e, oferecem isso para evitar que as senzalas se esvaziem.
- Deixa, deixa eles dançarem e tocarem esses tambores no quintal
Imagina se vão "perder" ainda mais tempo com o Acesso carioca, se já não têm como dividir o tempo do seus anunciantes com o Especial...
Quando a gente fala sobre a resistência imperiana, não estamos falando de uma escola que só não está no Grupo Especial porque não tem dinheiro para desfilar no padrão luxuoso e custoso (tecnologicamente) das co-irmãs-ricas, a gente está falando de Resistência, um dos componentes daquele sangue que irriga jovens gerações que torcem por agremiações que jamais viram ser campeãs.
Enquanto isso, segue o leilão, o modismo, a alienação de quem entende samba como mercadoria e não como cultura, a ignorância implantada de que qualquer coisa estrangeira que não seja cultura brasileira, e por isso mesmo, é mas aceitável que qualquer carnaval ou samba.
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Tem continuação, mas agora vou ali pegar minha fantasia imperiana!

22 de fev de 2017

Alguns jamais entenderão


Alguns jamais entenderão.
Peguei hoje a fantasia com a qual desfilarei na Portela. E aí acontece que todas as dificuldades, sufocos, complicações, transtornos se desvaneceram. Tudo valeu a pena, é a sensação que se tem quando algo que se faz parte começa a se concretizar. Tá bem bonita e isso é um quê a mais.

Aqueles que não valorizam isso (carnaval, cultura, samba, alegria do povo) talvez possam compreender um tanto, se no lugar da fantasia para um desfile numa agremiação muito amada, admirada, colocar-se o período de férias, a viagem tão desejada, algo que faça bem.Tem gente que pra ser feliz precisa de um diamante, uma viagem ao exterior, um casamento outros precisam de bem menos. Uma questão de possibilidades alcançáveis.
Algumas pessoas podem fazer planos para passeios, viagens, shoppings, outras não. 
Algumas pessoas são convidadas para desfilar em escolas, outras não. 
Criticar o desfilante é uma maldade sem tamanho, um julgamento de valor sem conhecimento e sem empatia daquilo que todo ser humano precisa ter: diversão.

Não há de se pensar que as pessoas mais humildes acostumadas aos sacrifícios, pequenos espaços e tudo mais derivado da ausência de dinheiro não tenha direito ao lazer ou, que seja idiota ou alienada porque gostam de desfilar no carnaval. 
Quem é alienado e/ou idiota é por outros motivos não por esse seu gosto e necessidade. Muita gente boa que malha o carnaval é alienada e idiota... :/

Como componente da comunidade eu só desfilo na Portela e no Império Serrano (e isso começou como terapia), por não ser uma coisa fácil, são minhas escolas de coração, só elas merecem o sacrifício de 2 ensaios duas vezes por semana com tudo o que isso envolve, inclusive o nó que se precisa desfazer nas agendas, a disposição que precisa se tirar sabe-se lá de onde naqueles dias que a gente "não tá podendo". Em outras desfilaria com a tranquilidade de uma ala comercial, ou de um convite, ou de uma fantasia ganha. Mas... Quem sou eu na fila do pão doce?
Ano passado foi tudo muito leve e divertido, esse ano, a ala de outros carnavais desfeita e, estando numa ala de marcação, foi bem menos divertido... Ensaios longe, em dias diferenciados, sem bateria, sem a galera dos anos anteriores e amigos de sempre. Mas aí, que como eu moro sozinha e trabalho em casa, o meu lar não é um ambiente necessariamente de descanso, como da maioria das pessoas que chegando do trabalho deixam os problemas do lado de fora e relaxam. Trabalho duro, mais de 14 horas por dia, seja executando tarefas, seja procurando tarefas remuneradas, logo, quando tenho uma ocupação esquento a cabeça desenvolvendo-a, quando não tenho, esquento a cabeça procurando por ela (a ocupação remunerada). Sair duas vezes por semana para algo que possa me divertir - ainda que inclua responsabilidade - que me permite conhecer novas pessoas é um refrigério, sim. Não gosto de shopping, ir ao ensaio me custa menos do que ir ao cinema, por exemplo.
Eu vejo algumas pessoas julgando as outras numa caretice medonha. Gente que tem outros programas no feriado carnavalesco acha que pode desqualificar a diversão dos foliões... "Mandam mal".

Até surgiu no facebook, a campanha contra o álcool no carnaval. Sim, eu sei que muita gente só colou porque não bebe e achou diferenciado. ok, ok. Vamos pensar: Será mesmo que o cara que bebe no natal, no ano novo, no domingo, na sexta ou todo dia não vai beber no carnaval?

E a pessoa que não bebe o ano todo, colando no mural vai arrumar o quê? 
Um "se dirigir não beba" tá mais do que bom, no mais, cada um com o seu cada qual sem inventar campanhas para constranger o biricutico social alheio, porque a cerveja não está barata mas custa bem menos que o "escote" e vinhos. 
E aquela água mineral das geleiras de onde ninguém nunca pisou? Como que conseguem essa tal água, não faço idéia, mas pense que pode ter xixi de urso polar nela...  :)

8 de fev de 2017

NINGUÉM REFLETE, TODOS JULGAM. ATÉ O QUE NÃO CONHECEM

O caso da passista Janna expulsa da sua escola pelo presidente é um material para fartas reflexões que, inclusive, extrapolam o ambiente das escolas quando lemos tantos comentários - na verdade julgamentos e essa é uma das reflexões, como as pessoas estão prontas para julgar a atitude descrita nem sempre de forma consistente na web. É que para condenar uma pessoa, é preciso muito mais e não vou me estender para evitar um texto muito mais longo

No caso especificamente, quando li, a primeira dúvida que tive foi se no show da apresentação da escola não foi incluindo no elenco nenhum diretor de harmonia para fazer a proteção do estandarte, dar suporte à porta bandeira e ao mestre sala, praxe das escolas em nas quadras e na avenida. Produtor faz falta. Essa é uma outra reflexão, produtor, coordenador de evento, principalmente com conhecimento cultural do samba faz muita falta, venho observando isso já faz um tempo.

Não planejo julgar (ou tornar público o meu pensamento) se a decisão do presidente foi acertada ou não. Quem sou eu na fila desse pão de queijo? Nem vou contra aqueles que vociferam "desrespeito", por alguns motivos mas o que importa é que analisando-se sobre toda a ótica da representatividade e das normas envolvendo os estandartes que representam as escolas, foi uma falta grave, no entanto é preciso dizer que falta grave e acusação desrespeito são coisas diferentes e há o que se analisar tanto em uma quanto em outra dessas duas coisas.

Sim, pessoal, existem normas que regem a condução, guarnição, tratamento e tudo relativo ao estandarte, existem pessoas que estudam para aprender a exercer essa função, existem pessoas que ensinam diretores de harmonia os procedimentos. E num momento em que as escolas de samba não têm aquela convivência de antigamente com a comunidade que hoje tem outros interesses e outras diversões que não somente os terreiros, em nome da profissionalização que os desfiles de carnaval passaram a exigir, deveria o ensino das tradições, da importância e função dos segmentos serem ensinados aos componentes, se não a todos, pelo menos a esses que representam oficialmente as escolas em shows.

Três coisas eu ouvi de Dona Dodô e nunca esqueci: A primeira que eu era muito baixinha para desfilar na Ala das Damas da qual era ela a responsável :( , fato que me deixou com medo da Portela até chegar àquela idade que a gente não tem mais medo de nada porque ou faz ou vai viver o arrependimento de nunca ter tentado fazer. 
A outra foi que não se beija a bandeira estando de bermuda ou shorts ou qualquer outro traje inadequado (daí entendi a importância do harmonia que direciona a porta bandeira para levar o pavilhão até as pessoas que o reverenciarão e o quanto ele tem de ter conhecimento do seu riscado) e por fim, a terceira, que nunca se encosta o "bico" na bandeira, coloca-se a mão e beija a própria mão - para não sujar o tecido e também por questão de higiene, né?

Mas quantas pessoas, na qualidade de amantes, apreciadoras, frequentadoras, componentes puderam ter a sorte de ouvir coisas assim? Mas que esses conceitos devem ser ensinados, eu não tenho dúvida. Principalmente quando vemos em várias ocasiões modelos nuas ou semi, enroladas em "suas" bandeiras em ensaios fotográficos...

4 de fev de 2017

DE MANGUEIRA À MADUREIRA

Sexta-feira, 04 de fevereiro, uma noite quente à beça. Tia Surica recebeu das mãos de Regina Celi, presidente do Salgueiro a faixa de Matriarca da Portela. Era um desejo antigo do seu filho do coração o falecido presidente da Portela Marcos Falcon. Ela estava feliz tanto quanto emocionada e eu fiquei muito feliz de vê-la assim. Aos poucos os desejos do falecido presidente, vão sendo realizados pela Portela que em à frente Luis Carlos Magalhães. A águia mais imponente, maior, mais iluminada substituiu a anterior, uma bossa inventada por ele que era apaixonado por águias e colocou uma na entrada e outra na parte interna da quadra. Que possamos ver realizar-se o seu desejo master e todos os portelenses um campeonato, a 22a estrela a brilhar no pavilhão de Madureira...

O atual presidente da agremiação contou a liga
ção da presidente do Salgueiro com a azul e branca de Oswaldo Cruz, mas confesso que não compreendi, o som apesar de alto não era claro, mas eu sei que Tia Surica ama Regina e a recíproca é verdadeira, no mais me informo depois.
Antes disso, Tia Surica esteve na apresentação da nova diretoria do Museu do Samba, onde funcionava o antigo Centro Cultural Cartola, Nilcemar Nogueira, a antiga diretora executiva, apresentou sua substituta, Nilcéa Freire, agora que ela ocupa o cargo de Secretária Municipal de Cultura.  É impressionante como o Centro Cultural rapidamente se tornou "antigo", Nilcemar é vertiginosa, da criação do Centro Cultural, capitaneou a criação do Museu do Samba num espaço bem pequeno de tempo considerando-se o vulto e a importância das duas iniciativas. A foto foi tirada bem no início do evento que ficou bastante cheio com presenças daqueles que mais do que falar de cultura-sambística-afro-brasileira praticam-na.

Voltando à Tia Surica, tietada por gente bamba, fico pasma com sua vitalidade, até hoje não consigo acompanhar seu pique e vai ficando cada vez mais difícil à medida que eu envelheço e ela não tem essa intenção. Saímos um pouco às pressas e muito à francesa, direto pra Madureira onde a faixa esperava a nossa Matriarca, mas tive tempo de ouvir o discurso de Nilcemar que será uma postagem à parte, pois que é muito conteúdo ara apenas uma notícia...

PENSAR DÓI

Eu não queria ser essa pessoa que enxerga através das paredes, que percebe por detrás das palavras, que sente o atrás dos olhos, que decifra subliminaridades. 
Eu queria ser como o porteiro do prédio, por exemplo, aquele que cumpre ordens.
Pensar dói, perceber me destrói e eu sei, vocês só amam aquela que por tanto pensar, pra não chorar, sorri...

27 de jan de 2017

Vamos falar do vacilo da Segurança Pública ao permitir a proteção dos bandidos às comunidades, antigas favelas?

Nasci e me criei em Jacarepaguá. Por um bom tempo não me adaptei viver em outro bairro, foi mais fácil acostumar-me com outro país. Eu gostava das longas e intensas sombras ao longo das ruas que nos protegiam. Eu amava acordar ouvindo sons incríveis, sentindo cheiros inacreditáveis. Era bom reconhecer os rostos de quem eu encontrava na rua.
Minha mãe trabalhava no Centro, o que o nativo de Jacarepaguá chama de "cidade", como se ele vivesse em outra cidade, estado, planeta - daí comecei a dizer que Jacarepaguá é capital da província de Nárnia. Minha mãe trabalhava no Centro da cidade do Rio de Janeiro, mais precisamente no Estácio, então, ela tomava o 241 (antes era o 267 que oferecia uma excursão suburbana) e saltava na Cidade Nova, entrava ali ao lado de onde depois, construíram o Piranhão, antes era só a zona, mesmo.
O ônibus 241 um dia foi uma novidade que ligava, através dessa auto-estrada, Jacarepaguá ao restante do Rio. Ela começa na Freguesia que é um sub-bairro de Jacarepaguá e termina no Grajaú/Vila Isabel, ali pertinho do "Clube da Light".
Ir com a minha mãe ao trabalho foi o primeiro contato consciente que tive com favelas. Porque no alto da auto-estrada vislumbrava-se aquelas moradias que chamavam de barracos. Que eu lembre, de favela no bairro tínhamos à época, Rio das Pedras que logo se mudou para Barra, Gardênia Azul possuía até umas palafitas de madeira, mas como um tio meu morava lá, eu não entendia que era favela, pois que ninguém nomeava assim, eram terras do Linifício Leslie cedidas aos seus funcionários. No Jardim Clarice acontecia o mesmo com os imensos quintais usados pelas famílias dos trabalhadores na fábrica da Antárctica (cervejaria), mas isso eu já conheci depois de crescidinha. Tinha a cidade de Deus também, inclusive, minha explicadora de Matemática ficava lá e como não conhecia barraco na CDD, na minha mente de criança o conceito da época de favela não se formalizava.
Na Praça Seca já havia surgido algumas favelas como a Chacrinha e Bateau Mouche mas elas não eram vistas por quem passava de ônibus pela Cândido Benício que tinha um trecho chamado Mato Alto que ia até o Ipase e onde hoje está a Vila Olímpica local e na parte onde o mato era alto, vem descendo o morro e chegando à rua um apinhado de casinhas que antigamente se chamavam barracos. Aquelas favelas antes não vistas chegam atualmente ao asfalto. 
Ainda assim, na quele tempo nem tão distante, ficávamos sabendo de como o "dono do morro" tinha atirado em mãos e pés de "pivetes" que roubaram relógios dos motoristas em carros parados no sinal, ou aplicado uma coça nos que roubavam bolsa de mulher, botijões de gás nos quintais adjacentes e do justiçamento aplicado naqueles que roubavam mais pesadamente nas imediações.
Então, subindo a Auto estrada Grajaú-Jacarepaguá, víamos um aglomerado de casas, casinhas, casebres, barracos. A uma certa altura, os moradores dessas favelas (era o nome da época que confesso acho muito mais bonito que "comunidade") começaram a entrar pela porta da frente do ônibus, posto que, havia um trocador que ficava na parte de trás do coletivo ao qual devíamos pagar a passagem. Foram delimitados pontos ao longo dessa via onde não se pagava a passagem e as pessoas entravam quase sempre aos grupos, aglomeravam-se na ali na entrada, próximo ao motorista e iam descendo onde tinham que descer. Sobre essa prática comentava-se na época que era um acordo com os bandidos locais a fim de garantir que os ônibus que trafegavam por ali e seus passageiros não fossem assaltados, uma coisa que acontecia muito nesses anos 70/80 e na Grajaú-Jacarepaguá acontece até hoje.
E era assim em vários locais onde havia comunidades, os bandidos "zelavam" pela ordem nos acessos próximos aos seus "domínios", dizia o povo que a fim de evitar investidas da polícia, de modo a não atrapalhar o seu comércio de "entorpecentes" - que era assim que se chamavam as drogas

Então você está lendo esse texto e deve estar se perguntado: "E o quico"? (E o quico = E o quicotenho com isso)
É que ainda não entendi, nem entrou na minha cabeça que bandidos, ladrões foram esses que assaltaram a quadra do Império Serrano, roubando funcionários que trabalham para o carnaval da escola... Escola de samba, fruto da vivência das pessoas em comunidade, Império Serrano, representatividade de uma comunidade com uma história linda, assaltada! Nem sei o que penso. Quando souber eu volto.

3 de jan de 2017

Vamos falar de tudo misturado?


Essa frase de Dona Dodô me lembra muito o que diz a Selminha Sorriso da Beija, que ela faz com alegria, não sabe se é a melhor no ofício (de porta bandeira) mas faz o melhor que pode. 
Talvez não haja outro caminho para o sucesso que não seja fazer com amor para que se possa ter dedicação plena e tornar leve todo o processo de trabalho que sempre será exaustivo, principalmente para quem faz com um objetivo qualquer, por exemplo, sucesso pelo sucesso ou apenas dinheiro. 

Pessoas que se dedicam a um ofício por amor, com amor acabam por fazer sucesso, compreendendo bem que sucesso é diferente de fama.  Às vezes eu penso que o exercício de um ofício por amor e a dedicação que acarreta, transcende e tanto que projeta o resultado para um patamar que só poderão ser reconhecidos em plenitude no futuro, exigindo evolução da sensibilidade para que o valorize (o resultado). 
Sim, pensei em Van Gogh ao elaborar esse pensamento existem vários gênios incompreendidos na sua época cujas obras, pensamentos, teorias só foram compreendidas algum tempo depois e valorizadas muito posteriormente.

Certamente no nosso país há pelo menos centenas de artistas dos mais variados segmentos de arte e cultura popular que não recebem o devido reconhecimento porque somos educados dentro dessa coisa de cultura de massa que nem sempre nos representa por ter seu conteúdo destacado e adaptado ao que marqueteiros e indústrias chamam de mercado. Resultando numa divulgação maciça de produtos híbridos onde a essência não é o que encanta mas o que nos cega e ensurdece. 

A sensibilidade é um atributo natural que pode ser desenvolvido e até mesmo adquirido através da educação e cultura. Dificilmente uma pessoa sensível aceitaria determinados "produtos artísticos" impostos goela abaixo da população. A nossa insistência em rotular chamou aqueles que tiveram oportunidade de estudar, muitas vezes aprimorando seu nível de sensibilidade, de intelectuais. 

Pensando que no início do Brasil, para se estudar precisava-se se deslocar para a Europa, podemos entender porque essa oportunidade era exclusiva dos endinheirados (recuso-me a chamar de "elite") e podemos compreender ainda porque nunca foram realizados esforços efetivos para que a população como um todo pudesse se desenvolver intelectualmente através do estudo acadêmico. 

A ditadura da ignorância não pode ser negada, analisando-se que às mulheres foi negado durante séculos o direito de se escolarizar, logo, é fazer "ouvidos de mercador" não se assumir que sempre fomos manipulados para que nos mantivéssemos no nosso local de colonizados, miscigenados, selvagens, pouco mais que animais,  incompetentes para decidirmos nosso presente e futuro seja através de escolhas seja através das leis.

Concordar com essa estrutura e modo sempre praticado no nosso país, para mim é ser de direita.  Direita é a manutenção do estabelecido e para qualquer brasileiro não rico  e vivenciando o dia-a-dia dos que ganham salário mínimo é simplesmente inaceitável. 

- O que é ganhar um salário mínimo? 
É ter dinheiro recebido por muitas horas de trabalho mais algumas de transporte que não é suficiente para o mínimo necessário a um ser humano urbano ou rural. 
É ter a sensação térmica de 56 graus sem direito ao ar condicionado. 
É quando se consegue ir a um médico e ser atendido, não ter como comprar a medicação ou praticar os hábitos de vida indicados pelo médico. 
É não ter moradia adequada em lugar digno. 
É ver os endinheirados (não quero dizer elite), políticos indiferentes ao sofrimento da falta de qualidade de vida, quando não, sorrindo com escárnio e deboche de uma situação que passa bem longe deles. Hábito, aliás, que tem sua raiz na monarquia, um tipo de governo em que pessoas por pertencerem a uma determinada família já nascem prontas para governar, decidir tudo o que será feito com o dinheiro que nunca fizeram nada para ganhar. 

No Brasil, fora os nobres que vieram de Portugal fugindo de Napoleão, tivemos aqueles compraram títulos de nobreza. O Brasil tem esse período tão, digamos engraçado! Bastava empoar a cara de um negro para ele ser branco, bastava um qualquer que conseguisse sua fortuna comprar seu título de nobreza e voilá, se tornava nobre...

No o Brasil o que se tem  de mais parecido com democracia, foi o direito de poder escolher quem vai gastar o nosso dinheiro. Mecanismos nobres da Constituição visando  proteger a divergência de idéias aos poucos foram e continuam mais que nunca sendo adaptados como meios de proteger esses que se aboletam no poder descobrindo formas de se apropriarem de cada vez mais, mais, muito mais do nosso dinheiro. 

- Mas não escolhemos nossos políticos?
Parece que sim, mas se pensarmos na forma como esses chegam ao nosso conhecimento, se avaliarmos as dimensões intercontinentais do país, concluiremos que não.

- Ah, mas o assunto não era trabalhar com amor a própria arte?
Verdade! No entanto, da mesma forma que não temos acesso às informações de todos os políticos que se candidatam, não conseguimos ter conhecimento de tantos artistas que fazem bem o seu trabalho. 
Aí entra uma coisa chamada mídia. Mídia é um instrumento composto de vários elementos que têm a capacidade de penetração em grande escala nas populações para disseminar informações. Isso antes de ser propaganda quem é uma informação nem sempre verdadeira que serve para que os donos da mídia angariem dinheiro com ela (a mídia). A mídia no princípio do Brasil era o "boca-a-boca" e os panfletos escritos à mão (lembrem de quem podia aprender e sabia escrever). 

Depois vieram os periódicos confeccionados letra por letra com os clichês. 
Calma! Clichê ainda não era uma coisa vulgarmente dita por qualquer um e repetida por todo mundo. Era uma peça de metal, acho que de chumbo que feito um carimbo imprimia as palavras no jornal que na época deveria ter uma tiragem muito limitada, haja vista o quanto da população podia lê-lo. Assim, podemos também imaginar quem tinha acesso a informação e por conseguinte, tinha direito a ter opinião.
Todo esse furndúncio de palavras alteram o conteúdo sem modificar o rótulo. Jornalista não é mais o profissional que escreve em jornal, e nem todos que escrevem em veículos de informação são jornalistas. Jornalista a princípio tinha o dever de verificar fontes, pesquisar fatos para não passar informações inverídicas. 



Mas o importante é que ainda temos muita gente que exerce o seu ofício ou arte com amor e até por amor, talvez tenhamos até políticos fazendo isso, pena que na política não há tempo de um reconhecimento efetivo tardio. Podemos até reconhecer mas adianta de quê? Fica para história e nem todos sobrevivem a ela.
Parar por aqui que virou textão. Há um tempo eu comentei que gostaria de ter um local que explicasse política de forma que qualquer um pudesse entender e muitos tinham essa mesma necessidade, aproveitei para dar a minha contribuição, uma pena que misturado com talento, sucesso e arte, mas são coisas da inspiração ou quem  sabe do desespero?

2 de jan de 2017

EM MADUREIRA UMA TRADIÇÃO DE ANO NOVO


Sei que remonta décadas passadas talvez desde o século passado. Eu nem sei quando fui dar nesse meio telhado que protege do sol senegalesco de Madureira. Sei que desde a primeira vez que estive, deixei de ir apenas um ano, doente que estava com crise de depressão. No mais, saía de Santa Teresa, caminhava até a Central do Brasil, tomava o trem descia na estação de Madureira e vivia coisas que faziam essa odisséia valer a pena.

Esse ano achei especial, não precisei fotografá-la às escondidas, ainda que ela não quisesse fotos, posou com gente.

Tia Surica posso dizer, com dizia minha mãe, é "o pé de galinha que não mata pinto". As brincadeiras não posso contar assim aqui porque só iniciados saberiam interpretar e morrer de rir porque não têm mal mas são piadas tão internas que aos desavisados poderia parecer bullying.

Ter a amizade dessa pastora do samba (claro, só pode ser do samba, já que ela não cria nenhum rebanho de carneiros) é para os sinceros e os que a amam de verdade, pra quem encharcou a mente no "sereno", para queles que  pelo menos uma vez afogou a alma no "veneno", para quem um dia na vida teve um calo nas mãos ou no coração. 

O Cafofo da Tia Surica cantado em verso e por Teresa Cristina é como o samba, uma cultura onde a música é espinha dorsal e cola quente. Nos sustenta e mantêm de pé, alegoria que somos dos dias nossos no desfile pelas avenidas da vida, não importa qual a escola, qual a cor do nosso coração.

Gente que está longe vê as fotos e morre de saudade. Gente que não conhece o caminho deve ter uma invejinha branca, rosa ou azul. A vida tem seus caminhos e sinto-me feliz por ter aberto esse pra mim. Sempre digo: 
Dia 1 de janeiro no Cafofo é prenúncio que tudo vai dar certo o ano inteiro!


31 de dez de 2016

OXOSSE e OXUM REGENTES DO ANO 2016

Prepare-se para fortes emoções e grandes possibilidades. Um ano de quem não aceita ser contrariado trará quebra de tabus para o bem e para o mal. Quem quer ter filhos, o ano é esse! 
Passará rápido por isso, olho vivo.

30 de dez de 2016

FOI UM ANO MESTRE, NÃO MASTER

Uma coisa é viver outra, sobreviver. Uma coisa é viver as coisas outra aprender com as coisas que vivemos. Aprender é diferente de descobrir que é diferente de entender e embora tudo isso envolva o sentir, sentir não basta. Às vezes a gente sente que não deve sentir determinadas coisas e a alternativa é evitar dar importância aos sentimentos que não constroem. Neste aspecto 2016 foi um ano professor e eu vou terminando esse ciclo sentindo que começo a me tornar uma boa aluna.

Eu sou uma pessoa de posições bem definidas, palavras nem sempre doces, intensa, tensa, visceral, e cheia de sentimentalidades e tudo isso me soava como defeito porque eu não sabia o que fazer com quem estivesse no lado exatamente oposto. 2016 me ensinou que não se faz nada com os opositores, arrumar nossa casa, jogar bem, fazer a nossa parte é o que os mantêm respeitosamente distantes

SELMINHA SORRISO E O SONHO DO BEJA FLOR


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No final de 2016, o prazer e orgulho de integrar uma equipe de bamba onde sou bamba também. Gente que fala de samba com a linguagem que a gente entende.

25 de nov de 2016

É o membro da comunidade que sustenta a escola na avenida


Escola de samba tem alma e sua alma é composta de passado e presente para que tenha futuro. 
Gerir uma escola de samba para que tenha bom desempenho como escola de carnaval no molde empresarial é compreensível e é o que precisa ser feito se ela tem como meta campeonato na Sapucaí.

Mesmo os românticos incorrigíveis, quando o papo é samba sabe a importância do dinheiro, mais: a gente até sabe o custo das coisas mas é importante não deixar que a falta de grana, mudanças no fluxo e esquema, vaidades pessoais e llusões de poder (não precisa ser o rei pra receber a picada do inseto da vaidade) azedem as relações primordiais que são intrínsecas aos objetivos quando o assunto é comunidade, ser humano. A comunidade paga o que pode e às vezes o que não pode para se dar à sua escola. Comparece aos eventos, chama os amigos reparte camarote, usa camisa, boné e o diabo, briga se alguém fala mal. 

Os responsáveis por cada setor da escola, ainda que não sejam gestores, administradores, líderes formados, escolarizados nas áreas administrativa ou humana, precisam ser orientados no sentido de valorizar o componente e os baluartes da agremiação que são o ar ( ou vias respiratórias ) dessas escolas porque oxigênio mesmo, hoje, é o patrocinador.
Por mais modernos, modernosos, antenados e poderosos que os articuladores/responsáveis pelo processo de formação do desfile sejam, por mais que se sintam o pica-das-galáxias-carnavalescas, se não tem conhecimento das tradições ou não se interessam em formar um clima harmonioso no que se convencionou chamar comunidade, eles precisam ter boas maneiras, educação, mesmo. Onde falta técnica, perícia há de se ter jeito, sensibilidade, sobretudo respeito.

É o membro da comunidade que sustenta a escola na avenida. É ele quem se sacrifica para comparecer aos ensaios e, ainda que falte a um ou outro ensaio, estará lá dando o sangue cantando como poucos das alas comerciais ou convidados célebres o fazem.É grotesco ver gente em "condição de chefia" ironizando, debochando do componente e destratando baluartes. Educação todo mundo tem que ter para com todos, roupa suja se lava em casa, tem que saber arrumar um cantinho pra colar os paetês que insistem em cair e o melhor lugar não é no meio do povo!
Saber contar até 3 é imprescindível. Saber a diferença entre favor, obrigação e o que é certo e justo não pode ser esquecido jamais. 

23 de nov de 2016

Tia Surica Da Portela é o luxo da nossa cidade


Estava olhando agora essa foto linda da Tia Surica Da Portela (sambista, pastora, tia de ponta) por Bob Wolfenson, fotógrafo internacional de ponta, para o projeto (social) da Amsterdam Sauer, joalheria de ponta e me vieram tantas reflexões acerca de valorização.
Nosso país tem muita dificuldade para valorizar suas gemas, seus ouros, suas riquezas. Fora aquelas que fomos acostumados a ver batendo asas para as arcas dos colonizadores, sendo particularizadas para os bolsos privados. Mais as riquezas culturais que achamos normal por de lado em detrimento de outras línguas modos e costumes estrangeiros e também nossas pessoas, personalidades. Crescemos, nos desenvolvemos encarando com normalidade copiar culturas mais pobres, menos talentosas que a nossa e aplaudir talentos alheios e ou transitórios.

Seria necessário dizer a cada brasileiro que não é ruim ser brasileiro. Não é feio ser brasileiro, nem negro, nem índio, nem miscigenados que é o que somos. Que a origem humilde é honrosa. 

Um dia nos vestimos com roupas  européias, colocamos perucas bizarras, empoamos a cara para parecermos menos morenos, usamos termos estrangeiros sob um sol escaldante e calor senegalesco, copiando os que julgamos superiores por acharmos chiques seus maneirismos que assim pareciam apenas por serem diferentes, sem nos darmos conta que, falidos vinham os donos desses costumes, abastecerem-se com as nossas riquezas. Os ricos éramos nós. Ainda somos e culturalmente ficamos ainda mais a partir dessa mistura. 

Quando aqui chegaram os gringos e galegos, encontraram um modo de viver, uma cultura, uma medicina, várias pessoas, alguns povos da mesma etnia e tudo foi desprezado. 
Pois bem, as crianças costumam vestir as roupas e calçados dos pais num processo de identificação, logo elas crescem e discutem com os pais para impor seu próprio estilo. Captaram o que desejo transmitir? O país se desenvolveu dentro de uma fôrma (acento proposital) que não permitiu a ele cresce e a nós nos desenvolvermos.

Recentemente num grupo do whatsapp que eu gostava muito, vi-me envolvida numa conversa a princípio irônica e que eu nunca poderia supor que fosse séria e assim levei na brincadeira. Um membro ironizava ou desconfiava ou questionava a qualidade vocal e competência musical da nossa pastora. No decorrer da conversa percebi que ele levava para o lado do usufruto financeiro a oportunidade que Tia Surica teve de gravar CD e DVD. Tratava-se de alguém muito jovem e apaixonado por carnaval e talvez até por samba. Ele não se dava conta que samba e carnaval são coisas diferentes, que o carnaval sem samba é festa pagã vinda sei lá de onde vinculada às colheitas. Carnaval com samba, é filho da nossa cultura, expressão libertadora de pessoas que construíram esse país a peso de chibata e humilhação. Samba é valor agregado por um povo sequestrado de sua terra e tudo o que era seu. 

É preciso lembrar cada momento essa origem para que meninos entendam ou aprendam a não trocar o ouro do nosso samba pelos espelhos da avenida, ainda que assim ele possa enriquecer feito um nobre cavalheiro, daquele pertencente à corte dos títulos comprados, defendendo uma arte descartável ao custo do 
menosprezo por arrogância e ignorância do seio que o amamentou e das entranhas que o fez nascer.
Não me zanguei nessa contenda, tentei esclarecer, mas retirei-me do grupo porque na minha idade, sabendo o que eu sei - muito mais por saber o que sei do que pela minha idade, não aceito ouvir sandices de quem mesmo vivendo de Brasil, não valoriza brasilidades genuínas.

Tia Surica Da Portela é o luxo da nossa cidade, do Brasil e o é porque é autêntica como muitos dos poucos que nos restam. Ela traz as portas da sua casa abertas, fala da nossa cultura porque a viveu e a defende, é a representatividade de um Rio de Janeiro que está acabando. Vê-la tão linda com as belas jóias da conhecida joalheria que completa 75 anos mostra tanto sobre isso! Esse projeto que escolhe 75 mulheres magníficas a comemorar com apoio à juventude fala muito sobre tantas coisas do Brasil que se perde de si mesmo a cada minuto quando a juventude não recebeu na escola a educação que a valorizasse pelas suas raízes. 

Cultuam-se celebridades, até mesmo com incursões no samba, mas quantas delas estarão disponíveis para algo a mais que fotos e selfies? Quantas delas estariam disponíveis para alavancar os sonhos da juventude que "curte" samba, se interessa por ele, estuda jornalismo, quer beber na minguada fonte dos baluartes sobreviventes, quer conhecer o Rio além dos pontos turísticos que ficam ali onde os colonizadores chegaram, como faz Tia Surica?

Cheguei à essa entidade viva não porque ela fosse famosa, mas porque ela era talentosa e fiquei porque ela é uma grande pessoa e continua talentosa. Passei a me relacionar com ela como ser humano e segui admirando quando ela abre aquela boca e canta como as pastoras antigas que não cantam mais e segui aparvalhada quando ela dá de contar os "causos" da época que não vivi e sigo amando muito e agradecendo à Vida (meu deus pessoal) pela oportunidade que tenho de conviver com ela e mais alguns poucos desse tempo que passando não evolui as mentes dos que só vislumbram fama, algum poder e muita grana.

Para mim, é o auge a sambista de sucesso que criou fama, que a mídia séria procura para beijar a mão e a imprensa sem nível se aproveita para criar escândalos toscos objetivando apenas uns cliques. 
Se Tia Surica tivesse se mudado para a Barra muita gente por aí a respeitaria muito mais, no entanto, a gente sabe que para o respeito não é imprescindível morar à beira do amar e que bom, que a Amsterdam Sauer sabe disso também e muitos que nos valorizam., disso estão conscientes.

Será ótimo no dia que cada pessoa souber. Chique é ser verdadeiro. Nossos negros expulsos da região central do Rio foram muito chiques construindo esse império cultural lá pras bandas de Madureira, Oswaldo Cruz, freguesia de Irajá. É muito triste ver nosso povo, tão alheio repetindo as ações daqueles que nos roubaram, escravizaram e insistem em manter as patas subjugando nossas oportunidades invenções e criações, dizendo "sim" para que nossos ouros se vão em troca de espelhos por mais que eles pareçam brilhar nas avenidas.

22 de nov de 2016

Vamos falar de bobagens?

Um dia eu estava comendo pipoca e um pequeno grão detonou o meu dente, aquele ao lado do canino, aquele que é o primeiro que muita gente perde. Mas eu não podia sair com AQUELE dente quebrado! 
Ele quebrou verticalmente, só ficou a parte posterior dele, então ficou estranho. Quando eu sorria não ficava a lacuna, banguela, mas ficava estranho. Na época eu fazia roda de samba na Lapa. Você acha mesmo que eu ia pra Lapa, pro samba desse jeito? Mas nem me ameaçando de morte!
Isso é vaidade, mas uma vaidade que considero que tenho direito.


Nunca estive de acordo com o meu próprio padrão de beleza e desconfiava quando me achavam "bonitinha", mas o sorriso era um consenso. Mesmo quando sofri um acidente e ele foi modificado "na marra", ainda assim as pessoas gostavam dele. Uma vaidade tipo IPHAN, dá orgulho, todo mundo gosta vamos preservar!



E fica nisso. Não sou uma pessoa vaidosa. Sou capaz de sair de casa sem pentear o cabelo e vou à padaria com o que estiver vestindo, valendo até pijama, se eu tivesse. Só usei maquiagem, limitada ao batom, rímel e sombra durante o meu tempo de secretária numa empresa. Usei saltos na adolescência até descobrir que não era obrigada. Obrigada!

Não "faço" sobrancelha, depilo o sovaco pra evitar polêmica que não gosto de ninguém me perturbando. Há mais de 10 anos dispensei a manicure, só uso podólogo, não uso esmalte nunca, só pra consertar umas coisinhas em casa.


Gostaria de emagrecer uns 20 quilos e aí outro castigo da vida: Sempre emagreci muito fácil, no entanto depois dos 40 perder uma grama já é um problema, ganhar vários quilos nem sei como acontece... 

Desfilei em duas escolas de samba no carnaval ano passado e perdi 8 quilos, só por isso vou desfilar esse ano de novo.  Ok, talvez eu tenha gostado... 


Quanto mais problema tenho, mais quilos eu ganho. Quanto menos eu como, mais gorda eu fico. Papo de ansiedade, me disse a médica. Ai, ai...

Tenho horror às academias, aliás, às pessoas que as frequentam. Isso desde a época da novela Baila Comigo. Nunca entendi porque as academias são envidraçadas com a rua inteira vendo as pessoas lá dentro. Nunca fiz o tipo carne no açougue quando podia, imagine se faria nem agora, mesmo para quem gosta de picanha com gordura. Não quero ser notada por nada disso. 
E as olhadas que a gente ganha quando chega numa academia, cheia de sobrepeso? 
Parece que viram um ET, já te olham com cara de: "Ih, essa baranga não vai conseguir! Essa não tem jeito! Só morrendo e nascendo de novo."
A gente vira atração de circo.
Enfim, gente, é isso. Hoje eu não tinha assunto. Mas parece que tinha, né?

22 de out de 2016

Quem não tem uma história em que transformou sua abóbora em carruagem


As pessoas hoje estão numa de se registrar nos seus bons momentos para postar nas suas redes sociais. Antigamente, elas faziam carão, se produziam todas para ficarem bem vistas e talvez sair nalguma foto que só veriam um tempo depois, quando viam. As duas situações são exatamente idênticas, a diferença é a tecnologia que otimizou o tempo gasto para a gente "aparecer" e parecer feliz ou mandando bem, ou por cima da carne seca, ou "top" ou que "está podendo" ou poderosx. A linguagem também mudou bastante. Só o ser humano que mudou muito pouco ou talvez nada.

A gente "zoava" os japoneses porque eles fotografavam tudo, por exemplo, num show. Dizíamos que eles iam assistir ao show depois pelas fotos ou vídeos que faziam e, de repente, não agíamos assim, já naquele tempo,  porque ainda não tínhamos tecnologia barata o suficiente. Eram poucas as redes sociais, proliferavam os sites de relacionamentos, os chats, a internet era campo para os mais endinheirados que podiam trazer câmeras, notebooks  do exterior, além de poderem frequentar lugares "bons de aparecer" nas fotos e ter internet banda larga.

Daí, que nas redes sociais, a maioria publica o que vai "pegar bem", o que vai deixar os amigos bem impressionados. Às vezes acontece de algumas pessoas entrarem desaviadamente com um ânimo meio "sinistro", num momento frágil quase como se entrassem  num bar e, como o bar "é a igreja de todos os bêbados", abrem a alma, implicam com o vizinho, mandam indiretas. E como nas redes sociais todo mundo é lindo para compensar  ficam também ricos, fortes, sensuais, sedutores, essas coisas que são apenas uma questão de escolher como é o seu pileque. Eu, por exemplo, fico revoltada e tenho vontade de acabar com 50% da minha lista a fim de evitar brigas, sim, porque o meu estilo é: Não agradou, não agradei,  bóra trocar de botequim, antes que dê barraco.

A despeito de toda "maquiagem", a verdade é que redes sociais revelam tanto ou quanto um bom encontro ao vivo e descontraído, é só observar as reincidências nossas de cada dia, o acerto vai depender da nossa capacidade de observação e claro, tempo de postagens, do mesmo jeito que conhecer alguém demanda tempo e contato. Ainda assim, a gente acredita na felicidade que as pessoas demonstram on line e compra a idéia de o quanto "fulano está numa boa mas não me paga" e fica chateado porque ele (o fulano) está badalando e a gente em casa duro como uma pedra (ia falar pau de tarado, mas não é elegante). 
E quando a gente pensa: 
- "Olha aí a abandonada...  Numa foto cheidi homem" 
ou ainda:
- "Deprimida é o cacete, tá lá "quebrando tudo" na balada"!

Porque a gente sempre vai acreditar no que quer crer e ver da forma como deseja ver. Porque continuamos os mesmos. Observamos e concluímos sem fazer nem um pouquinho de força para ter certeza, o  julgamento é o mesmo e a condenação óbvia. Continuamos se não fofoqueiros, interessados na vida alheia. Continuamos dando "trela" para os boatos e ainda emitimos opinião e o ajudamos a ir mais longe.  Somos todo "Dona Fifi" só a janela que mudou.Agora é de led!

Um dia fui com um grupo fazer um job num dos hotéis mais bem vistos da cidade. Levei uma equipe para os serviços de copa e cozinha. As gurias antes de colocar o uniforme, escolheram os melhores cenários (ninguém escolheu a cozinha) fizeram selfies e postaram como se estivessem numa balada vip com legenda mais ou menos assim: "Vamos pegar pesado. A noite é nossa"!
Ao fim do serviço, fotografaram-se ao amanhecer, na praia, mar ao fundo, sol nascendo com legendas do tipo: "Acabadas mas muito felizes". Elas não mentiram.
É assim que é. Quem não tem uma história em que transformou sua abóbora em carruagem para ser a gata borralheira mais princesa do planeta? Eu ia dizer, quem nunca"comeu sardinha e arrotou bacalhau"?, mas, não é elegante.