21 de mai de 2017

É a função da polícia, manter a ordem, impedir a desordem, evitar vítimas.

A maneira fácil, simplista de se desenvolver um pensamento ou de simplesmente adotar o que já foi pensado por outrem é um aspecto muito relevante (e revelador) dos tempos atuais. As consequências disso ecoam em escala geométrica e podem espelhar a preguiça de raciocinar ou desprezo pelo semelhante ou egoísmo social que desenvolvemos ou tudo isso junto e muito mais (não vou alongar o textão)
Quando as comunidades ainda eram apenas românticas e poéticas favelas, havia um consenso maior de que eram locais onde havia muito mais gente honesta/trabalhadora do que bandidos/traficantes. Era pra lá que iam (ou eram empurrados) os recém-libertos da escravidão, os alijados das reformas urbanas que excluíam o pobre. Eram povoações estratégicas que mantinham os trabalhadores próximos aos seus locais de trabalho. "Antigamente" parece que havia mais pessoas entendendo isso.
Nessa "época" havia mais sensibilidade, horror, indignação com a polícia que invadia barracos metendo o pé na porta, quase sempre sem mandato, quebrando tudo em busca de "marginais" e provas de crimes, não necessariamente contra os moradores do barraco.
O reverso dessa medalha era que o traficante também invadia para ocupar, expulsando seus moradores.
No tempo do "Aqui, Agora" comandando pelo Franco (esqueci o primeiro nome) e com Wagner Montes de cabelos negros, não era raro as denúncias de famílias (quase sempre, chefiadas por mulheres) que perderam tudo e não tinham para onde ir ou se enfiaram de maneira desastrada, improvisada e inadequada na moradia de um parente. Os motivos variavam, dívida de um dos moradores com o tráfico, envolvimento "trabalhista" com a "boca", o traficante "babando em cima" de uma das moradoras e por aí vai.
De repente, a favela ( não importa que se tenha passado a chamá-la de comunidade, palavras não mudam a essência das coisas, apenas rotulam), passa a ser vista como apenas um território que abriga bandidos, por eles governada e os demais moradores como apenas coniventes, acomodados. As empresas deixam de empregar pessoas porque têm um CEP favelado, o preconceito ganha a batalha, pobres perdem a guerra. Substituíram o policial de pé na porta por balas perdidas (ou não). Com os programas do tipo "Favela Bairro" as escolas se encravam nas comunidades e as crianças como o imóvel, passam a ser alvos de balas projetadas por armas cada vez mais potentes e eficientes no objetivo de ferir, matar. E isso também ficou banal.
A polícia passa a desenvolver a tática de plantar flagrantes junto ao corpo das vítimas e a idade dessas foi baixando à medida que a indignação das pessoas não envolvidas foi-se reduzindo.
Está certo isso?
Não.
Todo crime precisa ser apurado e culpados punidos.
Da mesma forma, se há desordeiros, baderneiros, black blocs infiltrados em movimentos de rua que causam prejuízo de qualquer ordem que seja, eles precisam ser descobertos, investigados e receber punição conforme reza a lei. Penso que essa é a função da polícia, manter a ordem, impedir a desordem, evitar vítimas.
Só pra citar um exemplo, quando o cinegrafista foi morto , acidentalmente, na Cinelândia não foi preciso muito tempo para a polícia fazer o seu trabalho, descobrir, prender, julgar, manter preso. Como então, a investigação da policia não acessa os sempre mencionados "meia dúzia" de baderneiros que esculhambam as manifestações pacíficas dos cidadãos nas ruas?
Como assim, a polícia não consegue perceber a diferença entre uma senhora cinquentona, de um marmanjo parrudo ou ágil que depreda patrimônios?
Como policiais não têm a capacidade de discernir entre uma multidão que faz baderna, de um agrupamento de pessoas que estão num samba, alheio (o agrupamento) ao evento político?
Por que a polícia tem que arrastar uma mulher, jogar spray de pimenta à queima-roupa na sua cara ou no seu bebê de 2 anos, mirar sua balas de borracha e não ter responsabilidade por isso?
Como um policial, funcionário público treinado (suponho) esfacela um cassetete no rosto de um estudante colocando-o entre a vida e a morte num hospital?
Desculpem os que concordam com isso, não é uma crítica, mas uma reflexão. É simplista demais, egoísta ao extremo, justificar como normal as eventuais "baixas" provocadas na população como "ossos do ofício" policial.
No meu entendimento é atitude grotesca, brutal, cruel, covarde semelhante às que se toma nas favelas seja com o pé na porta de antanho, seja com as balas disparadas por fuzis que matam crianças comprovadamente inocentes e indefesas, e, creditar às vítimas o título de bandidas, baderneiras é uma hipocrisia sem nome.
Não se permitam ser manipulados por aqueles que só massacram a população a fim de manter a desordem social da qual se beneficiam, ainda que você se beneficie.
Diga não ou não diga nada, mas não concorde com a truculência, com a covardia que agride sem escrúpulos os mais fracos e indefesos.
Lembram das manifestações dos funcionários públicos? Lembram do movimento dos professores?
Lembrem, reflitam. É grátis.
Oservação 
A título de ilustração, foto de 1982 do finado repórter J.Paulo, de uma operação ocorrida em uma das favelas próximas à Grajau-Jacarepaguá

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